Sin notícias de Dios

– A História vai nos dar razão e você sabe disso.

-A História nunca dá razão! Ela é um homem surdo respondendo
perguntas que ninguém fez.

sem noticias de deus

Estão cansados da maratona? Espero que não, ainda tem uma penca de publicações sobre os filmes da Fanny Ardant por aí. Estava fazendo uma pequena conta dos filmes dela que tenho no computador e acho que já cheguei na casa dos trinta. Se eu vou escrever sobre todos? Claro que não, até porque… a quem importa a opinião de uma fã doida, falsa entendedora de cinema? Rsss

FANNY ARDANTHoje de manhã assisti “Sin notícias de Dios”, uma produção de 2001, dirigida por Augustin Díaz Yanes. Achei a história super bem bolada, divertida e em alguns pontos, emocionante. É um daqueles filmes que traz uma trama inteligente, sarcástica e que consegue manter um clima agradável. Não é aquele que te faz dar gargalhadas (aliás, esses estão cada vez mais escassos), mas te deixa com um leve sorriso no rosto.

Ardant está maravilhosa. Tem alguma publicação nesse blog em que eu não falo que ela está linda? Não, mas sério. Ela está bonita demais. Ela interpreta Marina, a “gerente administrativa do céu”, que escolhe Lola (Victoria Abril), uma espécie de anjo do bem, para salvar a alma de Manny (Demián Bichir) um boxeador mexicano. O problema é que o céu está em crise. Deus sumiu, está deprimido e a cada dia que passa, menos almas se salvam. Em compensação, o inferno está cheio!sinnoticias01

É aí que entra Jack Davenport (Gael García Bernal), que é o “gerente administrativo do inferno”. Jack escolhe Carmen (Penélope Cruz) para fazer com que a alma de Manny vá para o inferno. Trava-se então uma batalha entre o bem e o mal…  Além da problemática que se cria sobre a alma do boxeador, há um outro probleminha… É que Lola vem a Terra como esposa de Manny e Carmen como sua prima. Mas a convivência faz com que as duas se apaixonem…

A Victória Abril encarna uma personagem super séria, enquanto a Penélope assume a parte mais engraçada. É muito legal ver a Abril cantando algumas músicas em português… É que a sua personagem é uma cantora super famosa (no céu). Por isso, quando desce à terra, ela é uma completa desconhecida. Enquanto Carmen, no passado, era um gangster machista. Por isso foi para a terra naSin noticias de Dios (2001) 3 imagem de uma bela mulher, para entender como é terrível o assédio que elas sofrem.

De todas, a sacada mais sensacional é que o filme é falado em várias línguas. No céu eles falam francês, na terra espanhol e no inferno… inglês.  Vi uma entrevista com o diretor e ele disse que em princípio a ideia era fazer com que o inferno fosse representado por algum ator americano, algum ícone. Mas, ele conversou com o Gael e mudou logo de ideia… Outra sacada bem legal é que todos os personagens do inferno sempre aparecem cheios de suor!

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A máscara do anonimato

Me deparei com o DVD na loja e não resisti em comprar. Acabo de vê-lo e, depois de ler várias resenhas, fico mais tranquila em saber que eu não fui a única a me sentir perdida. “A máscara do anonimato” é um filme de 2003, dirigido por Larry Charles e roteirizado por ninguém mais, ninguém menos que Bob Dylan. A premissa é bem interessante, mas o desenvolvimento traz uma sequência complexa e pouco linear. Apesar de um elenco de peso, o filme recebeu várias críticas negativas, o New York Times chegou a considerá-lo “uma bagunça incoerente e profana”. 

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A trama não determina a época nem o lugar da história, o que se sabe é que se passa em um país pobre e subdesenvolvido que vive a mercê das vontades de um governo abusivo e ditatorial. Nina Verônica (uma produtora de TV) e seu parceiro Uncle Sweetheart estão completamente endividados e para fugirem dos agiotas, decidem organizar um show de caridade e roubar parte do dinheiro. Com uma pequena verba inicial, decidem soltar Jack Fate (Dylan), uma lenda da música que caiu no esquecimento depois de ficar preso. A volta de Fate traz a tona várias polêmicas e a maior delas, envolve o presidente.

Gosto de filmes experimentais e “A Máscara do anonimato” não está longe disso, há um uso quase abusivo da câmera subjetiva e diálogos extremamente metafóricos: a maioria trazendo um questionamento sobre governos opressores e censuras veladas. Percebe-se, já na abertura, uma crítica social que é desenvolvida ao longo da trama e vivida pelos personagens em particularidade. Apesar de comportamentos agressivos, todos possuem uma insatisfação quanto a situação que vivem e pela vida que levam. Outro aspecto técnico que me agradou foi a ambientação, marcada por uma cenografia quase teatral (não fosse as poucas tomadas externas).

Pelo que eu entendi, os personagens de John Goodman e Jessica Lange (alias, uma femme fatale) representam a grande mídia que cede ao sistema opressor e não só concorda, como também sustenta a barbárie. Aliás, renderam suas ideologias e trouxeram uma brutalidade para o próprio cotidiano, exigindo que os outros obedeçam suas vontades. Ao mesmo tempo, se questionam sobre o modo de vida que levam e são infelizes (como aquela cena do trailer, em que Jessica Lange aparece desolada e só, como se sentisse incapaz de mudar). Em contrapartida, Jeff Bridges encarna o bom jornalismo, o contestador e que além de mais fraco, acaba vencido no final.

Jessica Lange - Masked and

Penélope Cruz possui uma pequena participação, repleta de sentidos (posso estar enganada), mas acho que seu personagem simboliza a religião: que aliena, que cega. Cruz traz a tela um personagem estranho e infantilizado e totalmente dependente da ação alheia. No mais, “A Máscara do Anonimato” ou “Mascarados e Anônimos” possui uma deliciosa trilha sonora e é o típico filme que deixa inúmeras dúvidas na cabeça.