Infâmia

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Esses dias eu resolvi escrever sobre filmes clássicos e agora que comecei não dá vontade de parar. Há muito tempo (muito mesmo!) eu queria publicar sobre Infâmia, só que eu sempre colocava uma publicação na frente, mas finalmente chegou o dia! HAHA. Infâmia é um grande filme, com grandes interpretações e com uma trama (e uma abordagem) tão genial que dá calafrios só de pensar. Imagine, duas jovens mulheres decidem abrir uma escola para meninas e fazem um sucesso danado na cidade, até que uma das alunas, mentirosa e manipuladora, insinua que as duas são lésbicas.

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Pois é, uma história pesadíssima se tratando de um filme que foi gravado em 1961. Eu simplesmente amo filmes que driblam a censura (como Uma rua chamada pecado) e dizem o que precisam dizer, só que nas entrelinhas. Essa produção foi dirigida por William Wyler e baseada na peça de Lillian Hellman (escrita em 1934!!). Em 1936 a história ganhou uma adaptação para o cinema, mas ao invés de serem lésbicas, uma das professoras foi acusada de dormir com o marido da outra, as atrizes principais eram a Mirian Hopkins e a Merle Oberon.

A Audrey Hepburn sempre linda e serena, e a Shirley Maclaine (ai, que boneca!), sempre muito viva e sorridente. Eu fiquei boquiaberta quando vi “The Celluloid Closet” (um documentário sobre a abordagem da homossexulidade no cinema) e a Maclaine afirmou que não se tocava no assunto nos sets, ela dizia que nunca conversou sobre o fato das personagens serem lésbicas com a Audrey, era um tabu. Então, ela meio que não sabia do contexto que envolvia sua personagem, a Martha. E, caralho… como o filme vai tomando dimensões dramáticas durante o seu desenvolvimento, é realmente um absurdo o que o preconceito, a homofobia e a maldade humana são capazes de fazer.

– A Mirian Hopkins reaparece nesse filme como a avó da Mary, a menininha mentirosa.

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O filme também me remeteu ao Caso da Escola Base, aquele crime cometido pela mídia brasileira em 1994, contra o casal Shiamada. É mais vergonhoso ainda pensar que o caso ainda rola na justiça e as emissoras responsáveis por levantar tamanha mentira, não foram responsabilizados. Para quem não sabe do que se trata, um casal foi acusado de abusar sexualmente de um de seus alunos e a imprensa caiu matando, só que depois foi comprovado que esse abuso nunca aconteceu.

Minhas atrizes favoritas (e seus respectivos filmes que são os meus favoritos)

Ta aí, estou com mania de fazer listas… comecei a escrever sobre as minhas atrizes favoritas e sobre os seus filmes e deu nisso. Pra não me estender muito, escolho cinco filmes que mais gosto de cada uma.. dêem uma olhada:

ImagemDianne Wiest

1)      Edward Mãos de Tesoura
2)      A Gaiola das Loucas
3)      Sinédoque, NY
4)      Setembro
5)      O Tiro que não saiu pela Culatra
 

ImagemSusan Sarandon

1)      Thelma e Louise
2)      Fome de Viver
3)      Os últimos passos de um homem
4)      Lado a Lado
5)      O Óleo de Lorenzo
 

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Isabelle Huppert

1)      A Professora de Piano
2)      Oito Mulheres
3)      Madame Bovary
4)      Um Assunto de Mulheres
5)      Má Mere
 

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Bette Davis

1) O que terá acontecido a Baby Jane?
2) Vitória Amarga
3) Vaiosa
4) Pérfida
5) A Malvada
 

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Joan Crawford

1) O quê terá acontecido a Baby Jane?
2) Acordes do Coração
3) Os desgraçados não choram
4) Johnny Guittar
5) Almas Mortas
 

ImagemDeborah Kerr

1) Os Inocentes
2) Narciso Negro
3) Bom dia, tristeza
4) Tarde demais para esquecer
5) A noite do Iguana
 

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Shirley Maclaine
 
1) Muito Além do Jardim
2) Minha doce gueisha
3) Infâmia
4) Irma La Douce
5) Laços de Ternura
 

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Judi Dench

1) Notas Sobre um Escândalo
2) Sua majestade, Mrs Brown
3) O violonista que veio do mar
4) O exótico hotel Marigold
5) 007 Skyfall
 

Helen Mirren

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1) O Cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante
2) Mães em Luta
3) Tentação Fatal
4) De porta em porta
5) Colapso
 

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Jessica Lange

1) Normal
2) Titus
3) Geração Prozac
4) Terras Perdidas
5) Mais que um crime
(+ O Destino bate à sua porta)
 

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Glenn Close

1) Albert Nobbs
2) Atração Fatal
3) Um Canto de Esperança
4) Marte Ataca
5) A Casa dos Espíritos
 

Anjelica Huston

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1) A Família Addams
2) Acerto Final
3) Tudo por um sonho
4) Para sempre Cinderela
5) Convenção das bruxas

Em seu lugar

Eu levo o seu coração comigo, eu o levo no meu coração
Eu nunca estou sem ele a qualquer lugar que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito por mim somente é o que você faria, minha querida
tenho medo que a minha sina pois você é a minha sina, minha doçura.
Eu não quero nenhum mundo pois bonita você é meu mundo, minha verdade
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar
aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe aqui é a raiz da raiz e o botão do botão e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes.
Eu levo o seu coração, eu o levo no meu coração

(E.E. Cummings)

Em seu lugar Sou fã da Toni Colette desde que assisti ‘O casamento de Muriel’, gosto muito da Cameron Diaz também, acho que ela tem um ótimo astral que sobressai às telas e cativa o público. As duas foram uma escolha perfeita para a adaptação cinematográfica do livro ‘In her shoes’, escrito por Jennifer Weiner. O filme, dirigido por Curtis Hanson é uma reconstrução sensível e delicada de um relacionamento complexo entre irmãs que vivem uma rotina completamente diferente e que dividem um passado doloroso.

Enquanto Rose é uma advogada bem sucedida, Maggie é uma mulher que não quer saber de trabalhar e que não se importa em viver as custas da irmã mais velha. Em contrapartida, Rose é uma mulher insegura com o próprio corpo que desabafa suas mágoas comprando vários sapatos (muitos dos quais nunca usou) e Maggie é uma mulher belíssima que namorou com vários homens, mas que não conseguiu estabelecer um relacionamento com nenhum deles. A mãe das duas possuía um histórico de pertubação mental e depois de sofrer várias internações, morreu em um acidente de carro (que não se sabe se foi intencional). Elas foram criadas pelo pai (que se casou novamente) e por muito tempo, desconheceram a existência da avó materna Elle (Shirley Maclaine) que pensavam estar morta.

Nem Colette, nem Diaz, nem mesmo Shirley Maclaine roubam a cena: todas as três recebem o mesmo espaço e atuam com bastante cumplicidade, o que é admirável. Eis um drama feminino bem medido, bastante delicado e com um argumento belíssimo. Não há como não se identificar com os personagens, principalmente com Rose (Toni Colette) que, depois de perder um namorado de uma forma bem dramática, decide largar o emprego e mudar a vida radicalmente. Enquanto ela ‘deu duro’ nos estudos e no emprego, Maggie teve uma vida vazia e baseada em aparência que, de repente, também cai por terra. Depois de uma briga séria, as duas irmãs se distanciam e passam a enfrentar o cotidiano por outra perspectiva.

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Maggie, colocada para fora de casa por Rose, pede que Elle (sua avó) lhe dê abrigo. Elle, por outro lado, deixa que Maggie more com ela no asilo em troca de que Maggie trabalhe com os idosos. A vida de Maggie no asilo traz à tona uma antiga briga do seu pai e sua avó, que não entravam em um acordo sobre o tratamento mais adequado para sua mãe. Enquanto isso, Rose começa a namorar um colega de trabalho que há muito tempo estava apaixonado por ela e, longe da irmã, consegue se sentir mais confiante em relação aos homens.

A distância das duas aumenta e a saudade aperta. Rose está se preparando para casar e Maggie investindo todas as suas energias em um novo projeto: aprender a ler. Para Maggie, a experiencia de viver em um asilo foi bastante construtiva, sua avó a incentivou a rever seu comportamento infantilizado e pediu que ela se colocasse no lugar da irmã. Quando a mãe das duas faleceu, Rose não só tomou conhecimento de tudo o que acontecia como se sentiu responsável por cuidar de Maggie.

Há muitas cenas do filme que me conquistaram, acho que esse é um dos tipos de produção que obtém sucesso quando aborda um drama feminino (e familiar) com tanta sutileza. Quando Rose vai fazer sexo pela primeira vez com o noivo, ela pede que ele apague a luz por ter vergonha do próprio corpo e ele insiste em vê-la nua, em fazer com que ela se sinta a vontade diante dele. Essa é a cena que eu mais gosto porque resume perfeitamente muitas das inseguranças femininas: ‘ela quer, ela deseja, mas tem medo e se envergonha’. Enquanto Maggie aprende a ler, ela nos questiona se só a beleza exterior é o bastante para ter uma vida feliz e completa. Só e humilhada, Maggie faz o caminho de volta, assume seus erros e sofre para melhorar. A distância das duas as faz rever todo o amor que sentem, a importância do companheirismo e da cumplicidade. Eis um filme sensível e belíssimo, que merece ser visto e revisto.

Minha doce Geisha

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Eu nunca fui fã de comédias românticas, mas esse filme em especial me agradou muito. Resolvi escrever sobre ele porque encontrei críticas bem negativas que o classificavam como uma comédia intencionalmente boba e inverossímil. De fato, o roteiro é extremamente leve e descompromissado, mas há aspectos igualmente importantes que devem ser levados em conta. “Minha doce Geisha” é um filme de 1962 dirigido por Jack Cardiff e roteirizado por Norman Krasna. O filme traz a belíssima Shirley MacLaine no papel de Lucy Dell, uma atriz hollywoodiana casada com um diretor europeu Paul Robaix (interpretado pelo excelente Yves Montand, que dentre outros sucessos, traz no currículo “Adorável Pecadora”).

Lucy e Paul fizeram grandes sucessos juntos, mas dessa vez Paul resolveu ir sozinho ao Japão para realizar uma versão de Madame Butterfly para o cinema. Lucy tenta convencê-lo de que pode interpretar o papel, mas Paul insiste que aqueles cabelos ruivos e olhos azuis definitivamente não serviriam para uma geisha.  Sem deixar o marido desconfiar, Lucy vai para o Japão e se submete a uma transformação para conseguir o papel. Aprende a falar e a se portar como uma geisha, coloca lentes pretas nos olhos e usa peruca. O grande problema é que Paul se apaixona pela geisha, deixando Lucy numa situação complicada.

O filme caiu no “popularesco” e agradou ao público. Uma das coisas que eu gosto é o trabalho visual e o cuidado que Cardiff teve nas primeiras cenas em que Shirley Maclaine aparece como geisha. Inicialmente ela sempre está ofuscada por uma sombra (quando não é o seu rosto são seus olhos), esse artifício propõe uma dupla interpretação. A sombra ofusca Lucy do marido, mas também do espectador que vai conhecendo a geisha aos poucos.  A sombra também está presente no momento em que Paul invade o quarto da geisha e implora por um beijo.

Minha doce geishaa

O falso sotaque da Shirley poderia parecer pedante, como aquela cena em que ela diz que nunca beijou um homem. Porém MacLaine é extremamente cativante e você se diverte imensamente com ela.  É muito claro que todo aquele disfarce é difícil de não ser notado, mas Yves Montand te convence que o marido não sabe de nada. É, como eu disse anteriormente, uma comédia descompromissada, divertida… vale muito a pena!

Shirley Maclaine, minha doce geisha

SPOILER:  Não há como não se apaixonar pelo fim do filme, quando descobre-se que Paul sabia o segredo de Lucy, que ela era sua doce geisha.  

“Don’t be sympathy to anybody but me, my geisha”