♡ Thelma e Louise♡

Thelma e Louise]Acho que todo mundo deve ter algo que tenha o marcado na vida. Seja um objeto, uma música, um livro, um lugar… no meu caso, um filme. Eu sempre, desde o comecinho do blog, quis escrever sobre Thelma e Louise. Engraçado, porque já comecei vários rascunhos e nenhum deles foi para frente. E eu sei o porque disso, é que esse foi um filme que me marcou profundamente e que me traz tantas lembranças e sentimentos que eu poderia escrever um livro… quer dizer, eu tenho uma lista infindável de filmes que amo, que assisti mil vezes e que tenho na minha coleção, mas Thelma e Louise é diferente. É o meu filme preferido, de todos os tempos.

Eu ainda era criança quando vi Susan Sarandon e Geena Davis pela primeira vez, juntas, naquele belíssimo e enorme thunderbird. As duas me ajudaram a construir uma imagética (falei o termo certo?) da mulher perfeita. Na minha cabeça a mulher perfeita era e é a mulher livre… e a viagem de Thelma e Louise é exatamente atrás disso, elas buscavam por liberdade.

thelmaHoje, já crescida, acho que me pareço mais com a Louise (e é ela que, ironicamente, era a minha personagem favorita). Louise, a garçonete quarentona e solteira, inteligente, um pouco arrogante… e triste. Louise me parecia tão triste. A Thelma, por outro lado, vivia uma vida medíocre e também infeliz ao lado do marido controlador.  Mas Thelma era como aquele passarinho preso na gaiola, que nunca conheceu o exterior e que, como uma criança, estava descobrindo o mundo. Thelma é a imagem da inocência e ao mesmo tempo, da teimosia… e mesmo com todos os problemas conseguia dar a volta por cima, tinham um tom engraçado, meio louco, meio atrevido…

thelmaDepois de muito tempo é que eu fui saber que Thelma e Louise é um filme feminista. Até então, nunca tinha parado para pensar nisso. Nunca parei para reparar nos detalhes e também não sabia que tinha sido roteirizado por uma mulher, a Callie Khouri.

Quando eu vejo esse filme é como se naquele carro, estivesse mais uma passageira: eu.  Ao longo dos anos, lendo muitos artigos, sites… eu vi que eu era uma, entre milhares, que são apaixonadas pelo filme. E concordo plenamente com o que a jornalista Melissa Silverstein, do site “Women and Hollywood” disse: “Thelma e Louise é uma referência para tantas pessoas porque nunca foi recriado. Quando o filme é um sucesso, é usual ser refilmado várias e várias vezes”.  Ou seja, quando você pensa em Thelma e Louise as imagens que vem a mente já estão meio que… “pré-determinadas”, são as do filme,  né? Não há outro, não há dúvida…

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A cena do estupro de Thelma foi algo aterrorizante para mim, quando criança. Ainda o é, hoje… Revendo o filme, fico pensando na forma em que retrataram a violência sexual, no jeito que mostraram o quanto é um crime terrível e odioso..  Aliás, que as duas sofreram né? Não é difícil perceber como a Louise ficou traumatizada com o que aconteceu com ela no Texas. Aliás, é exatamente isso que a fez fugir, não confiar na polícia. Provavelmente ela denunciou o estupro e não recebeu nenhum auxílio ou respaldo.

Muitos criticam a postura do policial que conversava com elas, muitos dizem que ele era “bom demais”. Não sei, sabe, acho que também é uma forma sutil de retratar um lado mais humano do homem (como gênero mesmo). Elas foram traídas e maltratadas por praticamente todo homem que apareceu em cena, menos por ele. Ele era o único que sabia o que tinha acontecido com a Louise no Texas..

A Callie Khouri, em 2001, se manifestou publicamente sobre o filme e disse que sempre foi criticada por causa do estuprador ter sido assassinado.  Segundo ela as pessoas se incomodam quando duas mulheres são retratadas no cinema como personagens inteligentes e que assumem o controle do próprio corpo. ” Os vilões sempre morrem em praticamente todo o filme…. aquele cara era o vilão e ele foi assassinado. O fato de uma mulher tê-lo assassinado fez com que isso gerasse controvérsias”.

Aliás, muitas feministas chegaram a afirmar que esse filme não pode ser considerada feminista porque elas morrem no final, como se fossem punidas. Eu, acho que foi uma forma de redenção.. .imagine, se tivessem sido presas? Ou, alguém acredita que depois de tudo, elas sairiam ilesas?

filmequethaisamaHum… Já falei que o filme foi gravado em 1991, e que a Susan estava grávida (e só descobriu depois?). Outra coisa interessante é que o filme foi um “boom”, recebeu várias indicações ao Oscar. E Genna e Susan foram indicadas na mesma categoria!! E, Hans Zimmer… meu amigo, a sua trilha sonora me faz chorar até hoje!


Genna Davis e Susa24 anos se passaram e o filme rendeu bons frutos, ainda hoje considerado um clássico. E, sem dúvidas, foi uma produção marcante na carreira das duas, que são super politizadas e socialmente engajadas. Sobre a Susan eu acho que nem preciso falar porque já publiquei um milhão de post falando sobre as suas manifestações sociais e sobre o seu engajamento… agora sobre a Geena eu nunca comentei.

Vocês sabiam que a Geena Davis possui um instituto chamado “Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia” e que sempre está fazendo colocações e análises super importantes sobre o papel das mulheres no meio midiático? Ontem mesmo, por exemplo, em uma reunião da ONU em NY ela mostrou dados interessantes (para não dizer outra coisa), segundo ela: “Se incluirmos personagens femininas na medida em que tem sido feito nos últimos 20 anos, só alcançaremos a igualdade em 700 anos”


No ano passado as duas se reuniram para fazer uma sessão fotográfica no Hollywood Reporter, vocês viram?

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Susan Sarandon

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Desde pequena eu gosto muito da Susan Sarandon. O primeiro filme com ela que me recordo de assistir foi “Thelma e Louise”.

[Para essas coisas minha memória não é ruim então eu falo com toda certeza que o filme passou num sábado, no Super Cine. Minha mãe estava de plantão e eu e minha tia Fabiana ligamos a TV já na parte em que as duas estão saindo de casa. Estávamos no quarto que hoje é da minha avó, eram duas camas com cabeceiras brancas. Nem sei porque estou falando isso, mas aquele dia permanece tão claro na minha memória que é como se tivesse acontecido ontem]

De manhã perguntei a minha tia: “Qual é o nome daquela atriz de olho grande?”, e ela respondeu sem pestanejar: “Susan Sarandon”. Gravei a informação rapidamente. Na época eu não tinha acesso à internet como hoje, então toda revista ou jornal que eu encontrava com a foto dela, guardava (tenho essa mania até hoje).

Depois que aprendi que aquela mulher ruiva de olhos grandes se chamava Susan Sarandon, ia a locadora (sempre fui uma cliente assídua) e perguntava quais filmes eles tinham dela. Então, sempre fazia o seguinte: – locava A Família Addams, um filme com Susan Sarandon e um desenho. (Eu só parei de locar A Família Addams, depois que a minha mãe comprou a fita em VHS pra mim).

Sabe, vários filmes dela me emocionaram profundamente…

E por isso sempre procurei ler sobre eles, entende-los e contextualizá-los. Agora.. vou confessar uma coisa, somente há pouco tempo é que descobri que Thelma e Louise, além de ser um filme que tem um tom sugestivo de homossexualidade, é um dos símbolos contemporâneos do feminismo. Quer dizer, nunca parei para pensar sobre isso, sabe?

E a vastidão de personagens interpretados por ela e absorvidas pelo cenário cinematográfico só me levam a crer que também possuem sentidos sociais muito fortes, tipo Lado a Lado… O Óleo de Lorenzo!!!

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E como ela foi envelhecendo com graciosidade não? É fato que esse mérito não é só dela, basta espiar Helen Mirren, Diana Bracho, Meryl Streep, Sigourney Weaver e muitas outras. Mas Susan Sarandon mata a pau, com seus belos 66 aninhos, completados no dia 4 de Outubro.

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Eu não estou endeusando a Susan Sarandon, mas depois que vi muitos filmes dela e acompanhei toda a sua carreira comecei a admirá-la também pelo seu posicionamento político, por suas lutas sociais. Inclusive acho que foi isso mesmo que a deixou por muito tempo afastada de bons e grandes personagens. O seu ativismo assusta, porque Susan não é só admirada por sua beleza, mas também pelo seu cérebro, sua inteligência …