“Eu vi o que você fez e sei quem você é”, 1965

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Gente, eu adoro assistir os filmes da Joan Crawford, quero saber tudo que está relacionado a ela… era uma mulher linda, inteligente, impactante e forte. Mesmo com todas as controvérsias que rondam sua personalidade (e a terrível história contada por sua filha), a admiro muito, principalmente por seu talento e elegância.  Acabei de assistir “I saw what you did”, um terror-suspense dirigido e produzido por William Castle (os dois também trabalharam juntos em Almas Mortas, 1964). Joan interpreta Amy, uma mulher enlouquecida e cega de amor. Bom, vamos começar do começo, certo?

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O filme conta a história de três menininha que ficam em casa sozinhas depois que seus pais saem para um jantar. Para entreter a noite, ficam horas no telefone passando trotes para os outros. Por infelicidade, passam um trote para um homem que acaba de cometer um assassinato e dizem: “Eu vi o que você fez e sei quem você é”. Sem desconfiar que se trata de um trote, o assassino desespera-se e começa uma caçada atrás de quem o viu. Onde entra Joan¿ Bom, ela é apaixonada pelo assassino e mesmo desconfiando da barbaridade que cometeu, ainda deseja casar com ele.

A cena do assassinato me divertiu muito, especialmente por ser uma clara referência a Psicose (de Hitchcock). Conheço pouco sobre o William Castle, mas do pouco que li dele, fiquei impressionada por seu bom humor e criatividade. O diretor ficou conhecido como o rei dos “Movie Gimmicks”, que são algumas estratégias promocionais usadas para impressionar os espectadores (ex: eram colocadas campainhas debaixo das poltronas, ou distribuidos cartões onde o público podia eleger o final do protagonista). Sensacional! Convido vocês a ler o artigo do Cinemafilia e saber mais sobre ele. Clique – aqui aqui

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“Eu vi o que você fez e sem quem você é” é um filme cheio de tensão e ao mesmo tempo, de humor. A gente se diverte com a farra das menininhas e mergulha nos momentos de tensão e perseguição.  É um filme que me traz muitos outros na memória (e daí não sei se foi utilizado como referência), mas por exemplo:  como não se lembrar de “Pânico”¿ ou “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”.¿

Almas Mortas

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Eu adoro “Almas Mortas” (William Castle, 1964). Acho que por ser fã da Joan Crawford, tento enxergá-la para além do personagem. É um filme trash,com cabeças de boneco rolando por todo o lado. Mas se a gente for parar pra pensar a história é até boa… que pesa mais para o drama do que para o terror. 

Joan Crawf

O filme conta a história de Lucy, uma mulher que flagrou o seu marido a traindo com outra . “Lucy Harbin pegou o machado e deu quarenta marteladas no seu marido e quando viu o que fez, deu quarenta e uma na namorada dele”. Ela passa por uma longa internação, porque é considerada louca. Quando retorna, depois de vinte anos, tenta se reaproximar de Carol, sua filha (que na época, foi testemunha do crime). A volta de Lucy causa uma reviravolta na cidade, já que uma série de assassinatos acontecem (as novas vítimas são decapitadas, os crimes são muito semelhantes ao cometido por ela anos atrás).

Almas Mortas foi classificado como um horror cujo subgênero se chamava “Psycho-Biddy” ou “Hang Horror”, tratavam-se de filmes que misturavam drama, thriller, vingança e humor negro. A característica principal desse sub-gênero eram as protagonistas: mulheres maduras e perigosas (algumas insanas, outras sob tremendo estresse). Almas Mortas segue bem essa linha, mas eu acho que tá mais para o entretenimento do que para qualquer outra coisa. É um filme bom de assistir, que te deixa vidrado… a gente vai mergulhando nos delírios da personagem e nem se importa com o fato de o plot principal ser facilmente decifrado. 

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Joan nunca aceitou muito bem a ideia de envelhecer diante das câmeras, talvez nem tivesse consciência do ridículo quando tentava se passar por uma jovenzinha, tendo quase 60 anos de idade. Almas Mortas retrata bem essa fase, a Joan aparece com um vestido coladinho, com uma super peruca e com aquelas sobrancelhas marcadas, fingindo ter uns trinta e poucos anos. Me parece que Joan foi daquele tipo de gente que faz tudo com muita vontade, daquelas pessoas que mergulham de cabeça num projeto… Tanto que no filme, com todo aquele ar decadente de película B, Joan consegue ser verossímil.

Li que Castle chegou a garantir a Joan que ela iria ganhar um Oscar. O filme nem indicado foi e passou muito longe disso. Joan teve carta branca para mexer em alguns detalhes que não a agradavam e alterar certas coisas, como o figurino, por exemplo. Foi Joan que escolheu Diane Baker, a atriz que interpretou sua filha, ela não queria uma atriz que a ofuscasse.