Epifanias em Vermelho

epifanias em vermelho

Ironicamente e apesar de tudo, eu não consigo entender o que sinto sobre nos dois. Demorei muito tempo para perceber que eu sou melhor sozinha e que hoje em dia não abro mão disso. Ainda assim, eu poderia passar a eternidade ao seu lado. Só porque eu acho que você sente as mesmas coisas que eu sinto. Acontece que a sua presença traz recordações “non gratas”. Sempre há rodeios sobre acontecimentos que eu resolvi deixar fora da minha vida. Como se isso fosse possível. Sabe, tudo me parece tão mascarado, tão interpretado que no final das contas soamos ridículos. Ando me perguntando se conseguiria viver com alguém mais covarde do que eu. Pouco provável. Eu só aguento a minha película fina de obscuridade porque não posso me livrar dela. Eu queria que você estivesse aqui, dentro de mim. Que você soubesse dos meus desejos e que pudesse satisfazê-los. Eu queria estar dentro de você, só para saber seus desejos e satisfazê-los. Seria bom se não soasse tão pedante. Essa história de transparecer força e frieza me recorda do que somos. Já pensou que tanta seriedade pode ser uma desculpa? Estou tendendo a acreditar que estamos fadados a viver nesse ciclo de distanciamento, nessa intertextualidade entre dor, culpa, desejo e prazer. Há que se ter (há que se arrumar) um motivo. Há que se fingir e isso é muito triste. É uma pena que precisamos de pretextos para estar juntos. É uma pena que você se envergonhe disso. É uma pena que eu me envergonhe também. Ao mesmo tempo penso que estão certos os que dizem que a vida é muito rápida. Eu não quero passar pela juventude sem ter vivido meus desejos, com medo de tentar algo novo, me responsabilizando pelos outros, sacrificando o presente por um futuro que eu nem sei no que vai dar. Eu queria amar loucamente, queria ver a vida sangrar. Vê-la escorrer em vermelho pelos olhos, pelas roupas, pela carne. Prazer e dor andam de mãos dadas. Queria me embriagar e não voltar pra casa (se possível por uns dias). Queria esquecer das limitações, os medos, os anseios. Não queria pensar em nada nem imaginar se estaríamos juntos no futuro, queria viver o presente e nada mais. Mas quem não quer? Estamos todos enclausurados na “maldição tantas vezes repetida”. Estou triste por nos dois. Estou triste por não conseguirmos ser mais do que essa mísera repetição.

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