sobre Anjélica Huston

ANJELICA HUSTON

Dentre as inúmeras paixões que tive de atores e atrizes, Anjélica Huston foi a primeira. Tenho lembranças muito fortes da sensação de encanto e admiração que sentia quando assistia seus filmes, uma magia e uma entrega meio lúdica e muito característica de crianças. Eu matei aula duas vezes na minha vida (durante a infância): uma foi por causa de um caderno que ganhei da minha avó e que ela dizia que eu só poderia escrever nele depois da escola – então eu fingi que estava passando mal, só pra ir pra casa.

A segunda foi quando um filme da Anjélica passou na Sessão da Tarde. Fiz um acordo com a minha mãe e mentimos para a diretora dizendo que eu tinha consulta médica. Vocês não imaginam quão incrível foi sair da sala de aula e encontrar minha mãe do lado de fora do portão. Na minha memória ficou vivo o momento em que desci as escadas correndo e como fugitivas, pegamos um taxi para ir pra casa e sentamos no sofá para assistir o filme. Minha mãe tem uma magia que não sei explicar, ela consegue ser  incrível em todos os momentos da minha vida.

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Há poucos dias li comentários muito cruéis sobre a atual aparência da Anjélica, memes bem maldosos e comparações infelizes. Como se envelhecer fosse um crime. O que é meio irônico porque a própria Anjélica dizia que teve muita dificuldade para inciar a carreira porque era considerada feia e desajeitada demais.  A imagem dela como Mortícia Addams e como Eva Ernest (Convenção das Bruxas) serão sempre uma das minhas referências de beleza e elegância, eu adorava os movimentos que ela fazia com as sobrancelhas e as unhas vermelhas, enormes. E a voz, o tom….

Eu assisti muitos (muitos) filmes da Anjélica, em tempos de locadoras eu era aquela louca que ligava para perguntar qual filme dela tinha no catálago. E não importava quão longe fosse, eu dava um jeito de ir buscar (ou minha mãe, na verdade, que pedia um amigo para locar). Me surpreendia muito assistí-la em papéis dramáticos que fugiam da imagem “gótica sensual” a qual estava acostumada.

Grifters Anjelica Huston as Lilly Dillon

Os imorais, por exemplo, foi um filme que ganhei da minha mãe em VHS (e eu tinha lá meus 10 anos) e do qual tive pesadelos! Passaram-se quinze anos e eu nunca mais vi esse filme, mas se me perguntarem, lembro perfeitamente da cena toalha e da cena em que ela beija o John Cusack – que era filho dela no filme. Uma história perturbadora demais para uma criança.

Em tempos de pouca  internet (quase nenhuma, para falar a verdade), o que eu sabia da Anjélica eu descobria através de revistas.Uma delas eu guardava a sete chaves, o título da matéria era ‘A idade da loba” e contava como era a vida de Anjélica, em sua enorme mansão, rodeada de gatos . Foi através dela que descobri quem era seu pai, John Huston (famoso diretor americano) e quem era seu odioso namorado, que a trocou por uma mulher bem mais jovem… Jack Nicholson – sério, eu odiava ele por causa da Anjélica. HAHA.

Fiquei muito curiosa em relação aos dois livros autobiográficos que a Anjélica lançou, mas aparentemente é difícil encontrar por aqui. Mesmo assim, li algumas reportagens, resenhas e vi muitas entrevistas dela que me apresentaram curiosidades que não imaginava. Segundo ela, por exemplo, o pai vivia ausente porque viajava muito para realizar os filmes, mas ao mesmo tempo quando estavam juntos ela sentia que existia uma proximidade muito grande. Ela conta também que seu pai desacreditou sua carreira de modelo e dizia que ela não era bonita o suficiente para modelar, principalmente porque tinha ombros largos demais. Viveu por muito tempo na Irlanda, teve uma infância tranquila e abastada.

Vi uma entrevista muito emocionada em que Huston conta, visivelmente magoada, sobre sua relação com Jack. Aliás, uma relação de 17 e intensos anos. Na entrevista ela dizia que foi difícil seguir em frente depois de descobrir a postura do ator. Para ela, mais duro ainda foi o fato da traição ser quase como um “evento público”,  ela sofreu um assédio enorme da imprensa e leu coisas muito maldosas. Na sua concepção, ela procurava nos homens a mesma imagem que tinha do pai, estava acostumada em ser abandonada e ter por perto um homem controlador. Tudo mudou quando se casou com Robert Graham Jr, artista plástico… finalmente ela percebeu que era possível ter alguém que a amasse verdadeiramente e que cuidasse dela.

 

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Um estranho no ninho

tumblr_muc868zieO1rzk6y2o1_500“Um estranho no ninho” é um daqueles filmes que está há anos na minha lista de espera e, não sei porque demorei tanto para assisti-lo. Talvez, continuaria na lista se eu não tivesse visto, outro dia, uma foto da Louise Fletcher recebendo o Oscar em 1976. Procurei um video da premiação e Fletcher agradecia seus pais, surdos-mudos, através da linguagem de sinais. É um momento lindíssimo da premiação e um dos mais emocionantes que eu vi. Finalmente assisti o filme e confesso que diversas cenas ainda estão vivas na memória – não sei se por causa da história, por causa da produção ou por causa da magnifica atuação dos atores…

Considerado um clássico contemporâneo, “One Flew Over the Cuckoo’s Nest”, conta a história de Randle MacMurphy (Jack Nicholson), um prisioneiro que finge está louco para ser mandado para um hospício (e assim, não precisar trabalhar). Aos poucos, MacMurphy faz amizade com os internos e os estimula a desobedecer as regras impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Fletcher). No entanto, o sistema é muito mais forte do que MacMurphy imagina e ele se vê condicionado a um cotidiano maçante e a terríveis sanções.

Pelo que li, o filme, dirigido por Milos Forman, foi baseado em um livro escrito por Ken Kesey e demorou anos para ser produzido. Diversos empecilhos atrasaram as produções, a começar pelo baixo orçamento e pela dificuldade em encontrar um bom elenco. Forman tinha uma preocupação enorme em fazer com que a narrativa tivesse um aspecto realístico, por isso fez com que os atores passassem por trabalhos de campo. Aliás, as gravações foram realizadas em um hospital de verdade e com pessoas que realmente possuíam problemas mentais.

tumblr_mwtmzulOYH1s4ht91o1_500Dentre as inúmeras críticas, o filme põe em cheque o conceito de loucura e aponta o dedo para as instituições de repressão. [Quando li uma análise do filme, logo me lembrei de uma peça de teatro escrita por Hilda Hilst: “A empresa”. Na obra, Hilst conta a história de América, uma jovem que faz uma criação, mas é desestimulada pelos superiores e acaba não resistindo ao sistema. Algo bem semelhante ao que acontece a MacMurphy. Também me lembrei de Holocausto Brasileiro, escrito por Daniela Arbex]

O anti-herói e um lobo em pele de cordeiro

Jack Nicholson é a grande estrela do filme e encarna um anti-herói de uma maneira tão natural que é difícil resistir ao efeito catártico, difícil não se colocar no lugar dele ou não torcer para o sucesso de suas “aventuras”. É um personagem espirituoso, que dá vida ao hospital e aos internos. Forman sustenta a trama criando situações  sensacionais (como o passeio de barco) que nos convidam a gostar dos pacientes (por sinal, dois deles interpretados por ninguém mais, ninguém menos que Christopher Lloyd e Danny DeVito).

tumbjacklr_n6eooqo0AN1rmxg04o1_400Não é difícil entender o porque a enfermeira Ratched foi um personagem tão marcante na história do cinema e é curioso pensar que o papel foi recusado por grande atrizes como Jande Fonda, Anne Brancroft, Ellen Burstyn e Faye Dunaway. Em uma entrevista, Louise Fletcher chegou a dizer que sempre via os outros atores se divertindo nos bastidores e que estava tão cansada de tentar manter as características “pesadas” da enfermeira, que decidiu passear nua nos sets de filmagem. Ela também disse que o personagem estava tão incrustado, que sem perceber, dava ordens a equipe de gravação.Um estranho no ninho

Ratched é um personagem que chama atenção por ser fisicamente graciosa, uma mulher linda, mas detestável. Os produtores não queriam que fosse uma mulher que, de imediato, causasse repulsa. Por isso construíram um personagem que se portava bem, que falava baixo… mas que não tinha bons valores ou consideração pelos internos. Aliás, o cabelo e aqueles rolinhos (meio “Malévola) foram intencionais e mostram, também através do cuidado com o uniforme, que era uma mulher conservadora.

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Acerto Final

Sou grande fã do Jack Nicholson, fã assumida.  Mas a minha admiração por ele não surgiu através dos seus grandes filmes, daqueles mais famosos como “Um estranho no ninho”, por exemplo. Comecei a admirar Nicholson depois que assisti ‘Acerto final’, um drama de 1995, dirigido por Seann Peann. No filme, ele interpreta Freddy Gale, um homem traumatizado pela morte da filha, Emily.  Depois de perdê-la, Gale promete para si mesmo se vingar de John Booth (interpretado por David Morse), o responsável pelo atropelamento da garota – no dia, Booth estava alcoolizado.

Quando Booth finalmente é solto, Gale encontra-se no ápice da sua obsessão. Inclusive, vai a casa da sua ex-mulher (interpretada por Anjélica Huston) para confrontá-la com o passado, com a morte da menina. Gale não suporta a ideia de ver sua ex-esposa com outro homem e, agora, mãe de dois filhos. É exatamente nessa concepção que o filme ganha seus pontos, enquanto Gale está preso ao passado, sua mulher resolveu seguir em frente e Booth, mesmo se sentido culpado e completamente arrependido, também deseja reconstruir a vida ao lado de Jojo (interpretada por Robin Wright).

ImagemO bacana é que a trama não se trata apenas da vingança de Gale e também não é um daqueles dramas morosos, não é um sonífero. “Acerto final” nos faz repensar na vida, nas relações familiares e nas “chances” que deixamos passar. Apesar de não ser grandioso, o filme traz pequenas pérolas em forma de diálogo e uma atuação primorosa de Nicholson, que domina o longa em toda sua duração. Aqui, Nicholson está dramático, mas em uma dosagem tão perfeita que é difícil não se sensibilizar com sua dor, é difícil não torcer para que ele consiga finalmente, matar Booth e livrar-se desse rancor que o corrói aos poucos.

Anjelica Huston Jack NicholsonA trilha sonora é perfeita, especialmente uma música de Bruce Springsteen que captura toda a tensão e o suspense do filme. Em falar em música, uma das coisas desse filme que não sai da minha cabeça é as diversas sequências construídas em cima de um bonequinho, que assobiava uma música que Gale cantava para Emily, uma música triste e marcante, uma alegoria a memória de Gale, atormentado pela morte da filha.

Ficha Técnica:
Título Original: The Crossing Guard
Ano: 1995
Gênero: Drama/Ação
Direção: Seann Peann

O Clube do Filme

David Gilmour é um crítico de cinema desempregado. Seu filho, Jesse, de apenas quinze anos, não vai bem na escola e recebe sucessivas reprovações.  Preocupado, David permite que Jesse largue a escola contanto que assista com ele – semanalmente – clássicos do cinema.  Juntos, pai e filho criam o “Clube do filme” e passam dias assistindo e comentando produções famosas como O Poderoso Chefão, A doce Vida, Uma Rua Chamada Pecado, Ladrões de Bicicletas, Tio Vânia Em Nova York (…). 

A história é sincera e envolvente, mais do que uma trama sobre pessoas que gostam de cinema, “O clube do filme” retrata a complexidade das relações humanas e familiares. Gilmour, que parece despretensioso, deixa bem claro que como pai, está sujeito a erros e acertos. Com essa convicção,  tenta fazer com que o filho perceba que amadurecer (seja amorosamente ou financeiramente) envolve um processo muito mais complicado do que ele imagina.

Imagem“Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga. Então, quando você recomenda com entusiasmo um filme a um amigo, e diz: “Ah, é bom demais, você vai adorar”, é uma experiência desconcertante quando você o encontra no dia seguinte e ele diz: “Você achou aquilo engraçado?”
 

Um livro para cinéfilos?

Li “O Clube do filme” aos pouquinhos, marcando e voltando em passagens (ou em dicas) que me pareciam interessantes. Percebi que existe uma gama de clássicos que desconheço e que preciso assistir urgentemente. De fato, foi isso que me prendeu ao livro, Gilmour citava um filme e comentava sobre a impressão que teve dele. Mesmo com comentários superficiais, ele conseguia me deixar curiosa para saber mais.

Em algumas passagens, por exemplo, o autor diz que poucas pessoas prestam atenção na beleza do poema final do velho em “A noite do Iguana” (de John Huston). Que existiu uma época em que Woody Allen só filmava filmes maravilhosos, como Crimes e Pecados (de 1989). Que a Lolita de 1997 criada por Adrian Lyne é muito melhor do que a de 1962 criada por Stanley Kubrick. Que Marlon Brando quase foi escalado para o papel do padre em O Exorcista, que Quentin Tarantino passou mais de cinco anos tentando vender o seu primeiro roteiro (…)

Por isso mesmo, acho que, apesar da história principal se basear na relação entre pai e filho (e não ter sido explorada suficientemente, talvez por não ter tanto espaço naquele contexto), o livro é direcionado a pessoas que gostam de cinema ou que, pelo menos, conhecem nomes de atores e diretores. Outra coisa divertida da história é que David e Jesse categorizam os tipos de filmes como: “Prazeres Culpados” (filmes ruins, mas que a gente adora) ou ” Filmes Superestimados”.

P.S. Sobre a relação entre pai e filho, uns aspectos me incomodaram um pouco. David pareceu passivo demais, enquanto Jesse fazia burrada atrás de burrada, sem receber punições. “Pai, usei cocaína ontem”. “Tudo bem filho, se você o fizer de novo, não assistiremos mais filmes juntos”… (WTF?!)

Para quem participa do Filmow, existe uma lista com os filmes citados no livro, onde você pode marcar quais já assistiu e quais pretende assistir:

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Filmes que completaram dez anos em 2013!

O tempo passa rápido pra caralho e nem sempre a gente se dá conta disso. Hoje o 9GAG fez uma lista com alguns filmes que foram produzidos há dez anos e eu me espantei com o fato de alguns deles estarem lá.  Roubei a ideia e fiz uma lista pessoal com quinze filmes que eu adoro e que em 2013, completaram dez anos de lançamento.

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1) Procurando Nemo: Pois é, há dez anos conhecíamos a doce e atrapalhada Dóris, que tinha uma péssima memória e sabia falar baleiês.  O filme da Disney, dirigido por Andrew Stanton, conta a história de Nemo, um peixe palhaço que acidentalmente se perde do pai (Marlin) e faz de tudo para voltar pra casa.  Nemo foi capturado por um mergulhador e levado para Sidney onde passou a viver confinado em um aquário, junto a outros peixes. A animação foi super bem vista pela crítica e ganhou várias indicações ao Oscar (entre elas, ao prêmio de Melhor Trilha Sonora Original).

Imagem2) Deus é brasileiro: Filme lindo, com uma fotografia maravilhosa (do Affonso Beato) e com uma história encantadora.  Baseado na obra de João Ubaldo Ribeiro e dirigido por Cacá Diegues, “Deus é brasileiro” conta a seguinte história: Deus (interpretado por Antonio Fagundes) está cansado e decepcionado com a humanidade e, por isso, decide tirar férias.  Antes de abandonar o posto, Ele precisa encontrar um substituto e decide procurá-lo no Brasil. Após uma longa e solitária viagem, Deus recebe a ajuda de Taoca (Wagner Moura), um esperto pescador. O filme também traz Paloma Duarte, Hugo Carvana e Stepan Nercessian no elenco.

Imagem3) Dogville: Esse filme é sensacional e espero, um dia, fazer uma publicação só pra ele. Posso estar enganada, mas acho que Dogville, dirigido por Lars Von Trier, é um clássico contemporâneo que usa e abusa do experimentalismo. Protagonizado por Nicole Kidman e divido em dez partes, “Dogville” conta a história de Grace, uma mulher desconhecida que chega a uma pequena cidade e pede por abrigo. Grace, que foge de gângsters, aceita trabalhar para os moradores por duas semanas, até que eles decidam se ela pode ficar definitivamente ou não. O tempo vai passando e Grace, ao invés de ser bem tratada, passa a ser explorada pelos moradores. O que eles não sabem é que ela guarda um segredo que pode colocar todos em risco.

Imagem4) Tudo o que uma garota quer: Há dez anos, Amanda Bynes ainda era uma garotinha doce e exemplar que faturava milhões. “Tudo o que uma garota quer” foi um estouro e a colocava no topo de ídolos teens junto a Lindsay Lohan e Hilary Duff. Dirigido por Dennie Gordon, o filme conta a história de Daphne Reynolds, uma menina que acaba de completar 17 anos e toma uma decisão radical: mudar-se para a Inglaterra e morar com o seu pai, Henry (Colin Firth), que conhece apenas por uma antiga foto. Henry é um importante político inglês e o seu cotidiano vira a vida de Daphne de cabeça para baixo.

Alguém tem que ceder 5) Alguém tem que ceder: Difícil não resistir a um par romântico formado por Diane Keaton e Jack Nicholson. O filme, dirigido e roteirizado por Nancy Meyers foi aclamado pela crítica, recebeu duas indicações ao Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar (de melhor atriz, para Keaton). Nicholson interpreta Harry Sanborn, um executivo  que namora com Marin (Amana Peet), uma mulher que tem idade para ser sua filha. O casal decide visitar a mãe de Marin, Erika (Diane Keaton) e, pouco tempo depois de chegar lá, Harry sofre uma parada cardíaca e fica sob os cuidados médicos de Erica e Julian (Keanu Reeves). Aos poucos, Harry começa a se interessar por Erika e trava uma briga com Julian, que também quer namorá-la.

Adeus, Lenin!6) Adeus, Lenin! Esse filme é fantástico e tem um argumento genial. A trama se passa em 1989, na Alemanha e conta a história de Alexander (Daniel Bruhl), um ativista que é contra o governo socialista. Ironicamente, sua mãe, Sra. Kerner (Kathrin Sass) é uma professora que se identifica com o regime e condena o filho por suas ações. (Alexander a definia como: “casada com a pátria socialista”). Pouco antes de ver a queda do Muro de Berlim, a mãe de Alexander sofre um ataque cardíaco e entra em coma. Quando acorda, ela não faz ideia das mudanças sofridas pelo país. Para preservá-la e poupá-la do choque, Alexander faz de tudo para que a Sra. Kerner acredite que ainda vive em um país socialista.

Longe do Paraíso7) Longe do Paraíso: Outro dia estava pensando nesse filme, no quanto eu gosto dele e no quanto ele é lindo. Não bastasse ter uma bela fotografia, atuações maravilhosas, “Longe do Paraíso” (dirigido por Todd Haynes) apresenta uma história emocionante e complexa. A trama se passa em 1957. Cathy Whitaker (Julianne Moore) é uma dona de casa que aparentemente leva uma vida perfeita. No entanto, seu marido, Frank (Dennis Quaid) esconde sua homoafetividade. Um dia, Cathy vai visitá-lo em seu escritório e o vê beijando outro homem. Abalada, Cathy encontra conforto em Raymond Deagan (Dennis Haysbert), um jardineiro negro. Sua proximidade com um homem negro levanta suspeitas da comunidade conservadora e ortodoxa em que vive.  Moore (que, aliás, estava grávida), levou o Oscar e o Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz.

Fale-com-ela-8) Fale com ela: Aqui, Almodóvar mostra toda a sua potencialidade, traz às telas uma trama repleta de conflitos humanos e existenciais. A história (muito inquietante, por sinal) se passa em Madri e gira em torno de Benigno (interpretado por Javier Cámara) um enfermeiro que é apaixonado por Alicia Roncero (Leonor Watling), uma bailarina que diariamente ensaia em um prédio em frente ao seu. Alicia sofre um acidente de carro e entra em coma, ironicamente ela é internada no hospital em que Benigno trabalha. Assim, ele estabelece uma relação amorosa/platônica com a paciente, ao mesmo tempo, faz amizade com Marco Zuluaga (Darío Grandinetti), um homem que vai constantemente ao hospital visitar sua namorada (uma toureira) que também está em coma.

Como-Se-Fosse-a-Primeira-Vez9) Como se fosse a primeira vez: Drew Barrymore e Adam Sandler, em uma comédia romântica super gostosa de assistir. Dirigido por Peter Segal, a trama se passa no Havaí e conta a história de Henry Roth (Sandler) um veterinário que se apaixona perdidamente por Lucy Whitmore (Barrymore). O problema é que Lucy sofreu um acidente de carro há anos atrás que a deixou com uma falta de memória: ela se esquece rapidamente de tudo o que faz. Henry então tem um desafio: conquistar Lucy dia após dia.

Meninas Malvadas10) Meninas Malvadas: E pensar que há dez anos atrás, Lindsay Lohan, Amanda Seyfried e Rachel McAdams encarnavam adolescentes irritantes que lutavam por popularidade no colégio. Já disse isso aqui anteriormente: esse filme foi um estouro (se tornou um clássico) e, apesar de ser um clichezão, é gostoso de assistir. Dirigido por Mark Waters e escrito por Tina Fey, o filme conta a história de Cady Heron (Lohan), uma adolescente de 17 anos que cresceu na África e sempre estudou em casa. Cady muda-se com os pais para os EUA e passa a frequentar a escola, mas enfrenta inúmeros problemas, a começar por Regina George, a chefe de um grupinho de garotas venenosas e totalmente superficiais.  Inusitadamente, Cady recebe o convite para fazer parte do grupo da Regina (“as poderosas”) e ela fica divida pois não que abandonar seus amigos impopulares.

as-horas11) As Horas: Eu sou apaixonada (apaixonadíssima com esse filme) e custei pra crer que ele já tem dez anos. Não bastasse um time fantástico de atores, de uma fotografia linda e de uma trilha sonora mais bonita ainda (feita pelo incrível Philip Glass), “As Horas” é daqueles filmes que te faz se emocionar sem esforço. (Espero não ter exagerado nos adjetivos, mas eu realmente gosto dele.)

Dirigido por Stephen Daldry (O leitor; Tão forte e tão perto), o filme se passa em três períodos diferentes e conta a história de três mulheres ligadas ao livro “Mrs Dalloway”: Virginia Woolf (Nicole Kidman), autoria do livro – que enfrenta uma depressão,  Laura Brown (Julianne Moore) uma dona de casa que planeja uma festa para o marido e Clarissa Vaughn (Meryl Streep) uma editora que vive em NY e tem um amigo chamado Richard (Ed Harris), um escritor que tem Aids e que está morrendo. Aliás, todas as personagens tem um quê “lésbico”…

narradores de jave212) Narradores de Javé: Eis a prova de que o cinema brasileiro (mesmo que essa gente chata diga que não, rs!)  tem seus acertos. Dirigido por Eliane Café, o filme – que é uma delícia de assistir – conta a história de uma pequena cidade que será submersa pelas águas de uma represa. Os moradores descobrem que a ‘inundação pode ser impedida se a cidade tiver um patrimônio histórico e por isso, decidem escrever a história da cidade (chamada Javé), mas encontram um grande problema: apenas um morador sabe escrever, o carteiro. “Narradores de Javé” foi bem recebido pela crítica, venceu vários prêmios, entre eles o de melhor filme no VII Festival Internacional de Cinema de Punta del Este.

grande menina, pequena mulher13) Grande Menina, Pequena Mulher: Dakota Fanning é uma atriz incrível. Outro dia eu estava assistindo um episódio de Friends, onde ela aparece: ainda pequenininha, dando um show de interpretação. Também gosto muito da Brittany Murphy, acho ela tão carismática em tela (pena mesmo ter falecido). Pois bem, Fanning e Brittany formaram uma dupla sensacional. Dirigido por Boaz Yakin, o filme conta a história de Molly (Murphy), uma jovem mimada que vive da fortuna deixada por seu pai, um astro do rock já falecido. Após perder toda a sua herança, Molly se vê obrigada a trabalhar como babá de Ray (Fanning), uma garotinha precoce, de apenas oito anos e não é lá muito amigável. Gosto muito desse filme e da música final…aliás, sempre choro no final…

Prenda-me se for capaz14) Prenda-me Se For Capaz: Filmão, daqueles que te prendem do início ao fim! (aliás, adoro essa capa). Dirigido por Steven Spielberg, “Prenda-me se for capaz” conta a história de Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) um golpista experiente e esperto que já se passou por médico, advogado e co-piloto (tudo isso com apenas 18 anos). Frank, que já realizou golpes milionários, só tem um problema: Carl Hanratty (Tom Hanks), um agente do FBI que faz de tudo para capturá-lo.

Os incríveis15) Os incríveis: Adoro animações e essa não podia faltar na lista. Produzido pela Disney e dirigido por Brad Bid, o filme conta a história de Roberto Pêra, um super herói aposentado que morre de vontade de voltar a ativa. Há quinze anos, Roberto se envolveu em um problema: impediu um homem de se matar. O homem não gostou, entrou com um processo e ganhou na justiça. A indenização custou caro ao estado e assim, Roberto foi forçado a abandonar a profissão para levar uma vida comum…

Acontece que não é só Roberto que tem super poderes e sim, sua família inteira! Sua mulher Helen é a famosa “mulher elástico” e seus três filhos também desenvolveram super poderes. A oportunidade de voltar a vida de herói surge um estranho vilão faz  um comunicado misterioso e convida Roberto para uma missão secreta em uma ilha remota. * Só pra constar, “Os Incríveis” é o mais longo filme de animação em computação gráfica já produzido até o seu lançamento.

Confissões

A imagem dos personagens interpretados por Jack Nicholson há muito tempo me remota a um homem engraçado mas grosseiro, daqueles que se desliga dos valores morais facilmente e que sempre se mete em encrencas. Sabe aqueles personagens que querem fazer justiça com as próprias mãos e tirar vantagens dos outros? Pois é, sempre liguei Nicholson a eles.

 Bom, tudo isso caiu por terra hoje, quando vi o filme “ As confissões de Schmidt” de 2002, dirigido por Alexander Payne. Depois que o filme acabou fiquei me perguntando inclusive porque não o tinha visto antes. Acontece que me emocionei e muito, porque as reflexões sugeridas pelas vivências dos personagens não estão nem um pouco longe da realidade.

 A história é muito simples: Warren Schmidt é um homem de 66 anos que recentemente se aposentou. Sua rotina ainda possui resquícios da vida de administrador. Com tamanha dificuldade em entender que não está mais trabalhando, volta algumas vezes ao serviço para ver se está tudo dando certo e se estão seguindo as dicas que deixou. Um dia, visita sua antiga sala e percebe que já foi ocupada. Quando sai do edifício vê suas caixas jogadas no lixo. Como um choque de realidade entende que as coisas a partir daquele momento precisam mudar.

 Em casa, zapeando pela TV sua atenção é presa por uma propaganda. Imagens de crianças famintas da África pedindo por auxílio. “Adote uma criança por vinte e dois dólares ao mês, setenta e três centavos por dia”.  O senhor então, decide  adotá-lo. a Instituição envia fotos da criança e pede que envie uma carta, contando sobre a sua vida. É nesse momento que começa as confissões de Schmidt. Em princípio ele começa contanto da sua carreira e depois vai detalhando a sua vida pessoal: o carinho que sente pela filha única, a relação desgastada com a mulher (de quem não aguenta mais o cheiro e as manias de interrompê-lo enquanto fala).

 Quando vai aos correios enviar a carta, sua mulher está limpando o chão. Quando retorna, ela está morta. Triste, Schmidt se dá conta que agora está sozinho. Ele começa a perceber que as reclamações que fizera sobre a mulher na carta não chegavam nem perto do amor que sentia por ela. Sua morte provocou a visita da sua filha (que quase não ia aquela casa). Descobrimos então uma distância entre os dois, apesar do carinho enorme (e das tentativas de aproximação do pai para com a filha), seus questionamentos são por exemplo: “Porque você comprou o caixão mais barato para ela?”

 A filha: Jeannie (Hope Davis) se vai e Schmidt se vê novamente sozinho, junto com os questionamentos sobre o seu passado e sobre o seu futuro. Diante dos acontecimentos repentinos, decide realizar uma jornada rumo a Nebraska (no trailer que ele e a mulher compraram) para ajudar no casamento da filha com Randall (Dermot Mulroney), um vendedor de camas d’água. No caminho ele se depara com pessoas e situações que o faz refletir sobre a vida, sobre o casamento, sobre os seus desejos. – Esqueci de comentar que o filme é um roadmovie.

 Não queria que o post fosse tão descritivo, mas ainda não consigo fugir muito disso. De todos os questionamentos feitos por Schmidt, um deles me pareceu familiar (inclusive há um texto de Martha Medeiros sobre isso). O personagem fala com o garoto africano através das cartas que não sabe até quando estará vivo: “pode ser daqui há vinte anos, ou daqui a um dia”. O fato é que seremos vivos até que se lembrem de nós. Pode ser através dos nossos filhos, dos nossos netos ou amigos. Enquanto somos lembrados estaremos vivos, depois desaparecemos do mundo. Quem irá comentar dos nossos feitos, das nossas manias? Só quem nos conhece ou, quem se lembra de nós.

 Revendo fotos antigas, se lembra dos seus desejos, dos seus sonhos: quando estava na faculdade, queria mudar o mundo ou pelo menos ser alguém importante. Mas quando se casou e teve uma filha percebeu que a realidade é muito mais consistente: “não consegui mudar o mundo, nem a minha vida”. A viagem que ele realiza é um “fazer as pazes” com seu passado. Ele entende que atrás daquele bom homem, que aceita e que diz sim para tudo, há muito mais. Há raiva, há tristezas, arrependimentos. Sentimentos comuns a qualquer ser humano. O filme simplesmente é lindo, é válido e deve ser visto mais de uma vez.