[Comédia] O que fazemos nas sombras

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Não há nada pior que desperdiçar nosso tempo procurando por algo no catálogo da Netflix para, no final, se decepcionar com determinado filme ou série. No entanto, existem algumas pérolas soltas por lá, que a gente encontra e simplesmente se apaixona.

Quando assisti “O que fazemos nas sombras” foi exatamente assim: vi o filme sem pretensão e me diverti horrores! Inclusive, saí indicando para todo mundo.
No estilo dos mockumentarys (falsos-documentários), a trama conta a história de quatro amigos vampiros que dividem a mesma casa há muitos anos, mas enfrentam grande dificuldade de convivência, pois foram transformados em vampiros em épocas bem diferentes. Talvez, umas das piores dificuldades que encontram é a adaptação à tecnologia e à vida moderna, juntamente com a necessidade de convivência com os vivos.

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Além da originalidade da trama e do humor negro, há uma série de sátiras engraçadíssimas, com críticas à construção do “estereótipo hollywoodiano” e é claro que o Edward de Crepúsculo não ficaria por fora. Mas há também menções honrosas à Nosferatu, Drácula e Os Garotos Perdidos.

O que me chamou mais atenção no filme (que, inclusive, será transformado em série para a Netflix e, provavelmente lançado em 2019) é o escárnio bem estruturado e totalmente fora da curva, incitando (e respeitando) a inteligência do espectador, com piadas irônicas e plots bem surpreendentes. Além, é claro, dos protagonistas (anti-heróis) extremamente carismáticos.
Sem dúvidas, trata-se de uma boa pedida para quem deseja se divertir um pouco! Você já viu este filme? Se sim, não deixe de contar o que achou, deixe um comentário neste post!

A doce voz de Natalia Lafourcade

 

Tenho escutado as músicas de sempre, em looping. Sabe quando você cria uma playlist e passa a ouví-la diariamente, indo e voltando para algum lugar do cotidiano, numa repetição sem fim? Eu meio que “estacionei” nessa situação, pois tenho bastante dificuldade em encontrar músicas novas que me interessam. [E, quando eu encontro, escuto por dias seguidos, repetidas vezes].

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Então, é sempre assim, todo dia a minha playlist começa com Kate Bush, passa por Marcelo D2, Elis, Mercedes Sosa, Caetano e Gal. Nada mal, né? Mas um pouco cansativo, confesso. Até que num dia, um amigo me apresentou a NPR Music, uma plataforma americana sem fins lucrativos que oferece uma programação super alternativa. Eles possuem um canal no Youtube, chamado Tiny Desk, por onde passaram artistas de diversas nacionalidades e que se apresentam num tom mais intimista e autoral.

Lá fui eu: abri o canal, deixei tocar no automático e comecei a trabalhar nos meus textos. Daí escuto: Natalia Lafourcade, com uma voz super doce e com músicas leves e gostosas, baladinhas de latin rock, que trazem muito da música folclórica latino-americana, numa pegada bem autoral e atualizada. Fiquei por dias escutando as músicas, decorando as frases mais impactantes (e anotando nos meus bloquinhos).

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Despidiendo últimamente todo lo que sucedió

Hoy saludo mi presente y gusto de este dulce adiós (lindo, né?)

Lafoucarde é uma cantora mexicana, muito admirada pelo seu trabalho como compositora. Inclusive, recebeu o Grammy (2018) pelo melhor álbum, que traz uma homenagem à música folclórica latino-americana. No seu último disco, chegou a fazer uma homenagem à Agustín Lara (que, por muitos anos, foi namorado de María Félix; um ícone do cinema mexicano).

A minha música preferida, sem dúvidas, é “Soledad y el mar”. Mas, tem também a “Tu si sabes quererme”, que apresenta uma pegada bem romântica (e humorada). Engraçado, mas a voz da Lafoucarde me lembra muito a Carla Morrison, ao mesmo tempo em que a “pegada” das letras me lembram a Chavela Vargas (que, fazendo um comentário fora da curva, era apaixonada pela Frida Kahlo, sabia?).

É sempre bom descobrir músicas novas e, melhor ainda, poder compartilhá-las. Se você tiver um tempinho, dá uma procurada por ela no Spotify ou no Youtube mesmo. Depois, passa aqui para me contar o que achou? E, se tiver alguma dica de música, não deixe de colocar nos comentários, adoraria trocar ideias sobre o assunto!

VOCÊ SABE O QUE É O TESTE BECHDEL?

Refletir sobre a representação das mulheres no cinema (e na mídia, em geral) é uma forma importante de promover a igualdade de gênero e atuar em estratégias de melhoria social. Um dado importante do Instituto de Pesquisa da Geena Davis, indica que as mulheres representam menos de um terço dos personagens com falas nos filmes. Além disso, quando possuem alguma profissão nessas tramas, normalmente não ocupam lugares de poder.

Já está mais do que constatado,que a mídia é sexista. Mas, existe toda uma atuação de mulheres e homens que atuam para mudar essa perspectiva. E, nesse contexto, está o Teste de Bechdel. O teste surgiu em 1985, quando Alison Bechdel, cartunista, realizou uma tirinha ironizando os filmes hollywoodianos que, em sua maioria, representam as mulheres de uma forma estereotipada.

Nele é feito questionamentos simples, mas extremamente relevantes na análise cinematográfica ou mesmo nas pesquisas de sexualidade e gênero. As questões podem parecer triviais, mas tenha em mente que muitos filmes (inclusive, famosos blockbusters) não passam pelos testes.

Para “passar” no teste, o filme deve cumprir três pequenas regras:

  • ter duas personagens com nome
  • ao menos uma cena em que duas mulheres conversam entre sí
  • o tema não pode ser sobre homem

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NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO: A SOLIDÃO FEMININA

A professora de artes Sheba (Cate Blanchett) acaba de se mudar para uma nova escola e, sem conhecer muito bem o local, aproxima-se de Bárbara Covett (Judi Dench) também professora do colégio. Ela o faz, sem saber que esta dominadora mulher, possui atitudes extremamente bizarras e obsessivas. Em princípio, as duas se tornam grandes amigas: saem para beber, visitam a casa uma da outra e trocam inúmeras confidências.

Mas, um fato quebra a relação idílica das duas: Bárbara descobre que Sheba está se relacionando com um de seus alunos, de 15 anos.

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Notas Sobre um escândalo é uma história bastante curiosa (o livro, inclusive, é tão ou mais envolvente). Mais do que uma narrativa sobre a obsessão de uma mulher com a outra, a história retrata (de forma bem sutil) a solidão feminina. Ao longo da narrativa, é possível observar como os detalhes fazem toda a diferença: a gata de Bárbara como o único elo emocional da professora, o marido mais velho e o filho de Sheba, que fazem com que ela se sinta cada vez mais esgotada e sem saída.

Os dois personagens são muito complexos, com nuances bem particulares. Bárbara é uma mulher na casa dos 60 anos, extremamente carente e com um histórico duvidoso. Suas atitudes indicam uma sexualidade reprimida e toques de “desejos homossexuais latentes”. Da parte de Sheba, um imediatismo em vivenciar experiências novas e aproveitar a juventude que se esvai, além da necessidade por sexo (que, provavelmente, está em falta com o marido).

Difícil não ficar um pouco incomodado com certos acontecimentos, a gente quase fica “envergonhado” com certas atitudes dos personagens, o que transforma o espectador em um voyeur absoluto.

[Pycho-Bidd] Mulheres mais velhas e cinema

Psycho-biddy (também conhecido com hag horror ou hagsploitation) é um subgênero do terror que, normalmente, apresenta filmes que contam histórias de mulheres na casa dos 50/60 anos, mentalmente abaladas por algum acontecimento que as aterroriza, por um alto nível de estresse (ou, apenas desestruturadas psicologicamente).

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O estilo surgiu em 1962, com o assombroso sucesso de “O que terá acontecido à Baby Jane” (um clássico protagonizado por Bette Davis e Joan Crawford), e foi, também, inspirado em “Crepúsculo dos Deuses” (famoso noir estrelado por Gloria Swanson).
O subgênero “Mulheres Psicóticas” (numa tradução à brasileira) apresenta tramas repletas de vingança, assassinato ou melodrama e o mais importante: “mulheres maduras em situações de perigo/violência/loucura”.
[ Particularmente, acho que esses personagens são sensacionais, especialmente quando abordados de uma forma caricata ou sarcástica, ainda que apresentem inúmeras possibilidades. Há muito humor em “Nazaré Tedesco”, por exemplo, mas há também muito drama em Bárbara Covett (personagem de Judi Dench em Notas sobre um Escândalo).]

Jessica Lange em AHS: podemos considerar como Hag Horror?

O subgênero andava esquecido, até que (re) surge Jessica Lange, com a sua cabeleira loira e estilo inconfundível, em American Horror Story. Murphy, o diretor da trama, fã do tema e extremamente atualizado com o que chamamos de “escola de cinema”, não poderia ter feito um trabalho mais incrível e bem elaborado (tsc, tsc…ainda que eu ache que tenha perdido a mão à partir da terceira temporada).
Como Constance, em Murder House, Jéssica dá a vida à uma mulher enigmática e vingativa, repleta de mistérios sobre os filhos e com uma relação estranha com a casa. A maior característica desse hag horror é a sua posição em relação à Moira, a empregada da casa (e “ex” amante do seu marido, digamos…).
Mas, o ápice acontece em Sister Jude, a freira e ex-prostituta que dirige um manicômio.

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Jude, assim como todas as personagens que se enquadram no gênero, luta contra a decadência física da idade, nutre uma paixão não correspondida (por um padre) e está em uma situação de extremo estresse: encara a possibilidade de perder o posto no manicômio, a aproximação de uma jornalista muito curiosa e acontecimentos “sobrenaturais” e inexplicáveis.

Vivemos, então, a reinvenção do subgênero?

Desde a sua invenção, o subgênero conta com diversos filmes (diferentes nuances e histórias). Há, inclusive, uma ótima lista no Filmow para quem se interessa pelo assunto e que entender um pouco mais sobre o tema.

O fato mais interessante é que na época da sua criação, existia uma espécie de deboche, as atrizes maduras (então consideradas veneno de bilheteria), eram vistas com certa piedade por parte da crítica, que não perdoava a idade.

Não cabe hipocrisia: as atrizes, na medida que vão ficando mais velhas, continuam perdendo espaço em Hollywood. Mas, hoje há toda uma interpretação diferenciada sobre a idade, sobre sexualidade e beleza. Entende-se, cada vez mais, que é possível envelhecer de uma forma diferenciada, manter a vivacidade e explorar a pluralidade feminina, em diversos personagens.

O ESPETÁCULO MAIS TRISTE DA TERRA

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Gosto muito de livros com reportagens e reconstituições, especialmente se feitos com a mesma primazia e atenção que se encontra em “O espetáculo mais triste da terra”, livro escrito por Mauro Ventura.  Por meio de diversas entrevistas, Ventura reconstitui a tragédia do Grande Circo Americano, ocorrida no Rio de Janeiro em 1961 e vai, delicadamente, traçando o perfil dos personagens e os efeitos dos acontecimentos na vida de cada um deles.

O Grande Circo Americano anunciava sua chegada com a chamada: “O maior espetáculo da Terra”, frase de impacto de atraiu um enorme público. Mas: ele não tinha lona, era coberto por um plástico (de última tecnologia) que, durante o acidente, impediu a saída das pessoas (muitas crianças) que, ao notarem o fogo e ficarem apavorados, criaram um efeito manada, pisoteando uns aos outros.  

E o pior: a tragédia ocorreu na véspera de Natal.

A história, de tão trágica (e bem escrita) provoca muito incômodo: pessoas desfiguradas, crianças perdendo a família ou pais reconhecendo os corpos dos filhos. É praticamente impossível não se deixar impactar pelos relatos de dor e tristeza daqueles que presenciaram o ocorrido. Mas, apesar de todo o drama, há aspectos importantes/interessantes da época, que nos ajudam a visualizar um pouco do Brasil de antigamente.

Um deles, por exemplo, é a análise que o autor faz sobre a inexistência da tecnologia como conhecemos hoje. A presença de celulares, redes sociais ou mesmo internet, poderia ter facilitado o socorro à vítimas, a comunicação com os bombeiros ou médicos (pasmem! o principal hospital da cidade encontrava-se fechado, pois os funcionários estavam em greve). Portanto, houve um enorme desencontro: pessoas chegavam ao ambulatório e não eram recebidas. João Goulart, presidente do Brasil à época, precisou se mobilizar e fez um pedido de desculpa público às vítimas

Duas figuras, no entanto, merecem bastante atenção. A primeira delas é o Profeta Gentileza, que fez a sua “primeira aparição”. Ele pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio ajudar as vítimas (500 pessoas morreram). Ele viveu no RJ por 4 anos e depois, percorreu o Brasil divulgando mensagens de paz e solidariedade. O segundo é o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que até então, defendia os procedimentos de reconstituição e era desacreditado pelos colegas. A plástica naquela época, muito distante do que conhecemos hoje, ainda dava os primeiros passos.

Em geral, trata-se de um livro muito interessante, que nos mantém presos à leitura do início ao fim. Recomendo, muitíssimo.

O MEME AMERICANO: O MUNDO REAL E VIRTUAL SE FUNDEM!

The American Meme

Gente, eu adoro documentários! Outro dia assisti “The American Meme”, um doc bem interessante que faz uma reflexão crítica sobre como a internet e as redes sociais (em especial, o Instagram) mudaram o comportamento social contemporâneo. Gosto muito de análises sobre o tema, pois trabalho exatamente com isso e percebo, cada vez mais, o quanto somos influenciados pelo mundo virtual (e como ele está se homogeneizando com o mundo real).

A frase de uma das influencers, que participam do documentário, é bem impactante, mas sensata: ela diz, mais ou menos, que a junção do mundo virtual com o real é tão evidente e forte, que quem não se adapta, fica pra trás.  Depois de estudar muito marketing, analytics e técnicas de SEO, estou me distanciando cada vez mais das redes. Por uma questão particular, já não tenho mais certos aplicativos instalados no celular, por exemplo. Uso o Instagram, pois gosto muito de fotos. Mas, em geral, tenho me distanciado cada vez mais como usuária (e me aproximado como profissional). [Bom, não que isso seja muito relevante ao texto, mas vamos lá].

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As redes criam uma falsa ilusão de felicidade e proximidade, isso todo mundo já está careca de saber.  Mas, um dos temas que mais se aborda hoje, no cenário comunicacional, são como as métricas de felicidade (likes, comentários, compartilhamentos) funcionam como uma espécie de “droga”, pois criam uma sensação momentânea de aceitação e popularidade.  Não é que todo mundo goste de ser visto, mas todo ser humano gosta de ser bem aceito. Quer dizer, ninguém quer ser criticado, certo?

E é exatamente isso que as redes sociais proporcionam. Um ápice momentâneo e ilusório de sucesso. Há também as sanções, é claro: os haters, as denúncias. Mas, elas ainda servem como instrumento de vício e controle, que faz com que o usuário se molde à sua bolha…

Paris HiltonBom, o tema é bem complexo, mas muito atual e que gera uma discussão muito interessante. No documentário, podemos ver a evolução das redes sociais, das webcelebridades, das publicações patrocinadas (que geram milhões) e como esses “famosos da internet” fabricam a imagem de perfeição (e ganham muito com ela).  Além disso, há um análise bem interessante sobre a Paris Hilton e sua trajetória como influencer (e, sem dúvidas, precursora das Kardashians).

Tá aí uma dica para quem gosta de comunicação e quer entender um pouco mais sobre esse cenário, complexo (e encantador!)

 

 

[BIRDBOX] E A SUBJETIVIDADE DO CINEMA

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Lançado recentemente pela Netflix, Birdbox (dirigido por Susanne Bier e protagonizado por Sandra Bullock) gerou uma onda de memes, críticas, resenhas e comentários pela internet. A popularização do longa, que contou com um marketing enorme, não é de se estranhar: além da facilidade da distribuição do streaming, o filme apresenta um apelo imagético ao famoso livro “Caixa de Pássaros”, de Josh Malerman.

Particularmente, o que mais me chamou atenção nesse lançamento, não foi o filme em sí, mas a onda calorosa de críticas (positivas e negativas) que ele casou. Sem entrar no mérito se o filme é bom ou ruim, o que mais me agrada nessa história toda é a subjetividade que o cinema carrega consigo e suas inúmeras possibilidades de interpretação. 

Resumindo: diversos espectadores criaram discussões online para identificar as metáforas e alegorias que o filme apresenta. Depressão pós parto, luta pela sobrevivência, redescoberta do eu, luto… Enfim, uma série de interpretações e possibilidades que são também abstratas e mostram, de uma forma bem interessante, como a arte (no caso, a sétima arte) pode ser muito frutífera.

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Birdbox conta a história de Malorie, uma mulher com dois filhos, que precisa chegar em um refúgio para escapar de uma criatura desconhecida e extremamente perigosa. O cenário é pós-apocalíptico, onde as pessoas precisam usar uma venda, que impedem que vejam tal criatura (ela transforma as pessoas em seres violentos, que tentam o auto extermínio).

O filme tem toda uma atmosfera angustiante, que prende mais pelo suspense sobre as criaturas, do que pelos personagens (não muito carismáticos). Em suma, trata-se de um ótimo exemplo de como o entretenimento, o consumo e a arte estão cada vez mais diluídos.

E aí, você já viu o filme? O que achou do longa? Deixe um comentário nesse post, queremos saber a sua opinião. 🙂

FURACÃO ELIS!

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A estréia da série global sobre a vida da Elis Regina causou certa expectativa nos fãs, trazendo Andrea Horta como a imortal pimentinha. Ainda não tive a oportunidade de assistir aos episódios da produção, mas logo me lembrei do livro da Regina Navarro: “Furacão Elis”, uma obra bem interessante sobre a sua vida e carreira —  e que vale a pena ser lido por quem curte a cantora.

Então, deixo a dica da leitura…

A biografia, relançada em 2012, fala da intensa relação de Elis com a música e da sua luta para conquistar o respeito dos colegas da área. Além de uma visão sobre o seu lado (extremamente) profissional, temos também uma perspectiva mais aprofundada sobre a sua vida pessoal: relacionamentos amorosos, amigos e família.

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Não é novidade para ninguém que Elis mergulhava em tudo que fazia. Mas, por meio do livro, é possível perceber que ela era, também, uma cantora com apelo performático e, por vezes, repleta de inseguranças. Um exemplo bem interessante de tudo isso é que a cantora chegou a ser criticada por não tocar nenhum instrumento durante suas apresentações e, sempre muito inteligente, respondia: “O meu instrumento é a minha voz”.  Porém, isso a incomodava profundamente…

Esse jeito passional refletiu em todos os seus trabalhos, especialmente nos seus últimos anos. Não raro, se encontra vídeos da Elis no Youtube, cantando entre lágrimas e dando tudo de si em cima do palco. Aliás,  ela foi sempre cercada de amigos de renome como: MIlton Nascimento, Rita Lee e Gal Costa, o que rendeu parcerias antológicas.

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A sua popularidade não é de estranhar: Elis era uma mulher muito sincera e, por vezes, polêmica. À frente de seu tempo, a cantora não se importou com a imagem ao tratar de assuntos complexos como aborto e homossexualidade. Tinha também esse tom nacionalista, fazendo duras críticas à política e a desvalorização cultural no país. E aqui, estamos falando dos anos 70 e 80…

Bom, espero que tenha gostado da dica! E, se assistir a série ou ler o livro, não deixe de voltar aqui para deixar um comentário. Adoraria saber o que você achou.

[Fyre Festival]: Fiasco no Caribe

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Um evento para milionários: mulheres bonitas, a melhor comida, uma ilha paradisíaca privada e a apresentação de artistas internacionais renomados. Uma ideia dessas tem tudo para ser um sucesso, não é mesmo? Mas, acabou se tornando um enorme caso de fraude e estelionato, deixando diversas pessoas “a ver navios”. O caso foi tão complexo, que ganhou a atenção da imprensa e chegou a ser tema para um documentário da Netflix.

Em 2017, o rapper JaRule e o empresário Billy McFarland anunciaram um festival musical direcionado à um público classe A. Os ingressos, que chegavam a custar 100 mil dólares, garantiam acomodações luxuosas e um tratamento VIP. As ações de marketing foram de peso: modelos como Kendall Jenner, Bella Hadid, Alessandra Ambrósio e Hailey Baldwin fizeram posts patrocinados em suas redes, garantindo a exclusividade do evento (inclusive, foram ao local gravar comerciais). Resultado: em 48 horas de vendas, todos os ingressos foram vendidos.

Porém, quando chegaram ao local, os participantes se depararam com uma situação absurda: colchões largados no chão, tendas rasgadas pelo vento, panos molhados por causa da chuva e atrações canceladas. Para piorar: estavam em uma ilha, sem comida e sem a possibilidade de irem embora de imediato. Do outro lado, inúmeros profissionais locais, que foram envolvidos para a construção do evento, acabaram não recebendo um centavo pelo serviço prestado.

Como os próprios participantes contam, a situação foi extremamente traumática. Além disso, uma das grandes discussões propostas pelo documentário, discorre sobre a arrogância dos executores do festival, que sabiam que não conseguiriam atender às expectativas e, mesmo assim, continuaram com o projeto.