Nathalie X

nathalie_x_posterSou apaixonada com a Fanny Ardant, acho que ela e a Marisa Paredes possuem uma beleza muito semelhante – um charme que me remete à Joan Crawford também. É aquele elegância incontestável e um ar meio andrógeno e sensual. Na última semana, com a visita da Jéssica, conversamos sobre cinema, e a Fanny entrou em pauta. Ficamos relembrando alguns filmes dela… me toquei que escrevi muito pouco sobre ela por aqui, que nem comentei sobre sobre “Nathalie X”, um filme produzido em 2004 e dirigido por Anne Fontaine, do qual ela participa – e que eu adoro!

Lembram de “O Preço da Traição”, protagonizado pela Julianne Moore, Amanda Seyfried e pelo  Liam Neeson? Pois é, “O Preço da Traição” é uma refilmagem de Nathalie X, mas diferente do primeiro, é muito mais “sexual” do que “sensual” – se é que posso usar esses termos, quero dizer, a versão americana é mais explícita… No caso, na versão francesa, os protagonistas são Fanny Ardant, Emmanuelle Béart e Gérard Depardieu – e existe um suspense muito maior e as pequenas dicas são dadas pelas entrelinhas.

Bom… a trama conta a história de Catherine (Ardant) e Bernard (Depardieu), casados há18366724.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx 25 anos e com uma vida “perfeita”. Tão perfeita que ficou monótona e sem graça. Um dia Catherine descobre que Bernard está tendo um caso e, decepcionada, contrata uma prostituta para seduzir seu marido e descobrir suas preferências sexuais. No fundo, me parece que a Catherine entrou em crise porque julgava conhecer o marido muito bem…

Ao longo da investigação, Nathalie começa a ter encontros secretos com Catherine para lhe contar detalhadamente as confissões de Bernard e o que faziam. As duas criam uma confusa relação de dependência e desconfiança…

filmes_4186_Nathalie06Nathalie X é um filme obscuro, e muito enigmático. A Emmanuelle Beart está tão misteriosa! Ao mesmo tempo ela transparece uma timidez e uma segurança absurda, difícil não ficar vidrado. Ah! E ela e Fanny possuem um química invejável. É engraçado porque a gente meio que “desconfia”do que se passa, no fundo a gente sabe que as duas possuem uma atração mútua. Mas nada disso é dito, nada disso é explícito… a gente meio que se sente um voyer.

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9 filmes sobre adoção

Ontem uma colega me pediu uma dica, disse que precisava de nomes de filmes sobre adoção pois queria assistir com umas crianças do colégio. Imediatamente lembrei de alguns, mas percebi que nunca prestei atenção sobre o tema. Em princípio, a ideia me pareceu fácil, mas quando fomos (juntas) colocar os títulos no papel conseguimos enumerar – sem a ajuda da internet, é claro – apenas nove! E, aliás, nem todos são infantis (o que me deixou um pouco frustrada). Relendo os títulos, não duvido que existam filmes mais apropriados…de qualquer forma, foi assim que a listinha ficou, dêem uma olhada:

1) O menino de ouro

ImagemNão sou muito fã desse filme porque além de inverossímil, carrega – em exagero – muitos clichês relacionados a drama familiares. Ainda assim, ele encabeça a lista porque é uma boa escolha para quem quer discutir adoção com uma criança. Além disso, o filme transborda humor, amor e magia e pode servir como passatempo. “Menino de ouro” é um filme de 2011, dirigido por Jonatah Newman, protagonizado por Toni Colette, Maurice Cole e Ioan Gruffudd. A trama conta a história de Alec e Zooey, um casal traumatizado pela morte de seu único filho. Anos depois do acidente eles decidem adotar uma criança e fazem uma rápida visita a um orfanato, lá avistam um menino lindo chamado Eli, mas não o levam para casa. Pouco tempo depois, Eli (que tem apenas sete anos) aparece inesperadamente na porta deles e afirma que a partir daquele momento serão uma família. Mesmo relutantes (já que não assinaram nenhum papel de adoção) o casal aceita Eli na casa. A chegada do garoto que provocas inúmeras surpresas e transformações na vida do casal.

2) O destino de uma vida

ImagemHá algum tempo comentei sobre esse filme no La Amora (confira!) e o coloco na lista porque  merece atenção. O Destino de uma vida (Losing Isaiah, 1995) é um daqueles dramalhões que te prendem do início ao fim. O longa conta a história de Khaila (Halle Berry), uma viciada em drogas que abandona o filho em um lixão. Por sorte, o garoto é salvo e vai parar no hospital. Lá, a assistente social Margaret (Jessica Lange) emocionalmente abalada pelo caso, decide adotá-lo. Passam-se dois anos, Khaila se reabilita e descobre que o filho, o pequeno Isaiah está vivo e então, decide recorrer à justiça por sua guarda. Ao longo da trama, a briga pela criança se torna também uma briga racial.

3) A estranha vida de Timothy GreenA estranha vida de TimothyEsse filme tem uma fotografia belíssima, é muito fofo e cheio de lirismo (aliás, tem uma pegada bem parecida com “Menino de Ouro” só que sem os exageros). A produção, dirigida por Peter Hedges, conta a história de Cindy e Jim (interpretados por Jennifer Garner e Joel Edgerton), um casal que já tentou de tudo, mas que não consegue ter filhos. Um dia os dois escrevem todas as características que gostariam que uma criança tivesse, colocam numa caixa e a enterram no quintal. Na manhã seguinte aparece na porta da casa um menino – já crescido – chamado Timothy Green. O garoto, além de ter misteriosas plantas crescendo em seus pés, possui todas as características que Cindy e Jim colocaram na caixa. Encantados, Cindy e Jim o levam para casa e passam a tratá-lo como filho, a medida em que cresce, Timothy transforma a vida de todos ao seu redor.

4) Meu Malvado Favorito

Meu malvado favoritoImperdível, encantador, delicioso! “Meu Malvado Favorito” é uma animação de 2010 que conta a história de Gru, um homem estranho que tem a ambição de ser o maior vilão do mundo. Enquanto disputa com Vetor pelo posto, Gru conta com a ajuda dos minions (uma multidão de bichinhos doidos, engraçados e amarelos!). Um dia, Gru se depara com três meninas orfãs que tentam lhe vender biscoitos, para não ser incomodado Gru as adota. Aos poucos ele vai sendo conquistado pelas garotas e começa a questionar seu plano maléfico de roubar a lua.

5) O pequeno Stuart Little

Stuart Litlle

Me sinto um pouco velha quando penso que assisti esse filme no cinema, quando tinha oito anos…anyway.  O pequeno Stuart Little tem uma daquelas lições deliciosas de que o amor e a união vencem no final, mesmo que um membro da família seja um rato. Produzido em 1999 e dirigido por Rob Minkoff, o filme conta a história do Sr e da Sr. Little, um casal que decide adotar uma criança e dar um irmãozinho para George. Um dia, os Little vão a um orfanato e se deparam com um rato que foi abandonado por seus pais e decidem adotá-lo. A chegada do pequeno traz muitas confusões para casa, a começar por Snowbell, o gato da família e por George, que não o aceita.

6) Juno

juno1Juno aborda diversos assuntos complexos (como gravidez na adolescência, barriga de aluguel e adoção) sem deixar que nenhum desses temas seja representado superficialmente, por isso o seu mérito. Produzido em 2007 e dirigido por Jason Reitman, o filme conta a história de uma jovem de 16 anos que engravidou acidentalmente e não sabe se deve criar a criança, abortar ou doá-la. Sem o apoio dos pais, nem do namorado, Juno pensa em abortar mas logo desiste da ideia. Com a ajuda de uma amiga procura por uma família perfeita para seu filho e acaba conhecendo Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal financeiramente estável que não consegue engravidar.

7) Matilda

still-of-mara-wilson-in-matildaNão sei se preciosa falar muito sobre esse filme, afinal… é um clássico! Matilda é um filme de 1995, dirigido por Danny DeVito. A trama conta a história de uma garotinha esperta e muito inteligente (ávida por conhecimento) que tem pais sem um pingo de paciência com crianças. Eles a mandam para uma escola que é dirigida pela cruel Agatha Trunchbull. A presença da professora Srta. Jennifer Honey faz com que a vida das crianças naquela escola fique mais ‘doce. A professora Honey logo percebe que há algo diferente com a garotinha e faz de tudo para ajuda-la. Entre travessuras e momentos divertidíssimos, a pequena descobre que possui poderes mágicos e decide usa-los para combater a monstruosa diretora.

8) Uma família inesperada

Uma familia inesperada

Assisti esse filme há muito tempo, muito tempo mesmo, mas ficou grudado na memória. Em princípio não ia colocá-lo na lista porque tinha a impressão que seria difícil encontrá-lo, mas fazendo uma pesquisa rápida, descobri que ele é fácil de achar – inclusive, está disponível no Youtube (com legendas em português). Na trama, Stockard Channing interpreta Barbara Whitney, uma mulher independente que namora um pintor e não é muito chegada em crianças. Um dia, sua irmã aparece e pede que ela cuide de seus filhos já que não sente amor por eles e não tem nenhum pingo de responsabilidade. Preocupada com as crianças, Bárbara as leva pra casa e se vê em um beco sem saída porque não faz ideia de como cuidar delas. Ao longo do tempo, Barbara cria um laço de amor com os meninos e começa a se dar bem com eles. Inesperadamente,  a irmã de Bárbara volta e tentar recuperá-los. Desesperada, Bárbara trava uma batalha judicial para impedir que sua irmã leve seus filhos embora.  (Produzido em 1996 e dirigido por Larry Elikann).

9) Chá com Mussolini

Cher (10)A primeira vez em que vi esse filme, achei muito chato… Depois revi e fui prestando atenção nos detalhes, no cuidado com o cenário e com a reconstrução de época, além as atuações belíssimas (palmas para Maggie Smith!) e dos diálogos marcantes. É um filme que vale a pena! A trama conta a história de Luca Innocenti, um menino que perdeu a mãe muito cedo e que não é reconhecido pelo pai (já que nasceu “fora do casamento”). Lucas acaba sendo criado por sua babá Mary e ao longo dos anos, desenvolve um apreço pela arte (principalmente pela influencia de Elsa, uma americana colecionadora de quadros). As mulheres que o cercam vivem comentando sobre política, fazem críticas ferozes quanto a sociedade e debatem acerca da situação do país. (Filme de 2000, dirigido por Franco Zeffirelli.

Dei uma pesquisada na internet e acho que esses três sites podem ajudar em boas dicas sobre filmes relacionados a esse tema:

* Filhos Adotivos

* Portal da Adoção

*Angaad (Associação Nacional dos Grupos de Apoio à adoção)

 

Filmes que completaram dez anos em 2013!

O tempo passa rápido pra caralho e nem sempre a gente se dá conta disso. Hoje o 9GAG fez uma lista com alguns filmes que foram produzidos há dez anos e eu me espantei com o fato de alguns deles estarem lá.  Roubei a ideia e fiz uma lista pessoal com quinze filmes que eu adoro e que em 2013, completaram dez anos de lançamento.

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1) Procurando Nemo: Pois é, há dez anos conhecíamos a doce e atrapalhada Dóris, que tinha uma péssima memória e sabia falar baleiês.  O filme da Disney, dirigido por Andrew Stanton, conta a história de Nemo, um peixe palhaço que acidentalmente se perde do pai (Marlin) e faz de tudo para voltar pra casa.  Nemo foi capturado por um mergulhador e levado para Sidney onde passou a viver confinado em um aquário, junto a outros peixes. A animação foi super bem vista pela crítica e ganhou várias indicações ao Oscar (entre elas, ao prêmio de Melhor Trilha Sonora Original).

Imagem2) Deus é brasileiro: Filme lindo, com uma fotografia maravilhosa (do Affonso Beato) e com uma história encantadora.  Baseado na obra de João Ubaldo Ribeiro e dirigido por Cacá Diegues, “Deus é brasileiro” conta a seguinte história: Deus (interpretado por Antonio Fagundes) está cansado e decepcionado com a humanidade e, por isso, decide tirar férias.  Antes de abandonar o posto, Ele precisa encontrar um substituto e decide procurá-lo no Brasil. Após uma longa e solitária viagem, Deus recebe a ajuda de Taoca (Wagner Moura), um esperto pescador. O filme também traz Paloma Duarte, Hugo Carvana e Stepan Nercessian no elenco.

Imagem3) Dogville: Esse filme é sensacional e espero, um dia, fazer uma publicação só pra ele. Posso estar enganada, mas acho que Dogville, dirigido por Lars Von Trier, é um clássico contemporâneo que usa e abusa do experimentalismo. Protagonizado por Nicole Kidman e divido em dez partes, “Dogville” conta a história de Grace, uma mulher desconhecida que chega a uma pequena cidade e pede por abrigo. Grace, que foge de gângsters, aceita trabalhar para os moradores por duas semanas, até que eles decidam se ela pode ficar definitivamente ou não. O tempo vai passando e Grace, ao invés de ser bem tratada, passa a ser explorada pelos moradores. O que eles não sabem é que ela guarda um segredo que pode colocar todos em risco.

Imagem4) Tudo o que uma garota quer: Há dez anos, Amanda Bynes ainda era uma garotinha doce e exemplar que faturava milhões. “Tudo o que uma garota quer” foi um estouro e a colocava no topo de ídolos teens junto a Lindsay Lohan e Hilary Duff. Dirigido por Dennie Gordon, o filme conta a história de Daphne Reynolds, uma menina que acaba de completar 17 anos e toma uma decisão radical: mudar-se para a Inglaterra e morar com o seu pai, Henry (Colin Firth), que conhece apenas por uma antiga foto. Henry é um importante político inglês e o seu cotidiano vira a vida de Daphne de cabeça para baixo.

Alguém tem que ceder 5) Alguém tem que ceder: Difícil não resistir a um par romântico formado por Diane Keaton e Jack Nicholson. O filme, dirigido e roteirizado por Nancy Meyers foi aclamado pela crítica, recebeu duas indicações ao Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar (de melhor atriz, para Keaton). Nicholson interpreta Harry Sanborn, um executivo  que namora com Marin (Amana Peet), uma mulher que tem idade para ser sua filha. O casal decide visitar a mãe de Marin, Erika (Diane Keaton) e, pouco tempo depois de chegar lá, Harry sofre uma parada cardíaca e fica sob os cuidados médicos de Erica e Julian (Keanu Reeves). Aos poucos, Harry começa a se interessar por Erika e trava uma briga com Julian, que também quer namorá-la.

Adeus, Lenin!6) Adeus, Lenin! Esse filme é fantástico e tem um argumento genial. A trama se passa em 1989, na Alemanha e conta a história de Alexander (Daniel Bruhl), um ativista que é contra o governo socialista. Ironicamente, sua mãe, Sra. Kerner (Kathrin Sass) é uma professora que se identifica com o regime e condena o filho por suas ações. (Alexander a definia como: “casada com a pátria socialista”). Pouco antes de ver a queda do Muro de Berlim, a mãe de Alexander sofre um ataque cardíaco e entra em coma. Quando acorda, ela não faz ideia das mudanças sofridas pelo país. Para preservá-la e poupá-la do choque, Alexander faz de tudo para que a Sra. Kerner acredite que ainda vive em um país socialista.

Longe do Paraíso7) Longe do Paraíso: Outro dia estava pensando nesse filme, no quanto eu gosto dele e no quanto ele é lindo. Não bastasse ter uma bela fotografia, atuações maravilhosas, “Longe do Paraíso” (dirigido por Todd Haynes) apresenta uma história emocionante e complexa. A trama se passa em 1957. Cathy Whitaker (Julianne Moore) é uma dona de casa que aparentemente leva uma vida perfeita. No entanto, seu marido, Frank (Dennis Quaid) esconde sua homoafetividade. Um dia, Cathy vai visitá-lo em seu escritório e o vê beijando outro homem. Abalada, Cathy encontra conforto em Raymond Deagan (Dennis Haysbert), um jardineiro negro. Sua proximidade com um homem negro levanta suspeitas da comunidade conservadora e ortodoxa em que vive.  Moore (que, aliás, estava grávida), levou o Oscar e o Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz.

Fale-com-ela-8) Fale com ela: Aqui, Almodóvar mostra toda a sua potencialidade, traz às telas uma trama repleta de conflitos humanos e existenciais. A história (muito inquietante, por sinal) se passa em Madri e gira em torno de Benigno (interpretado por Javier Cámara) um enfermeiro que é apaixonado por Alicia Roncero (Leonor Watling), uma bailarina que diariamente ensaia em um prédio em frente ao seu. Alicia sofre um acidente de carro e entra em coma, ironicamente ela é internada no hospital em que Benigno trabalha. Assim, ele estabelece uma relação amorosa/platônica com a paciente, ao mesmo tempo, faz amizade com Marco Zuluaga (Darío Grandinetti), um homem que vai constantemente ao hospital visitar sua namorada (uma toureira) que também está em coma.

Como-Se-Fosse-a-Primeira-Vez9) Como se fosse a primeira vez: Drew Barrymore e Adam Sandler, em uma comédia romântica super gostosa de assistir. Dirigido por Peter Segal, a trama se passa no Havaí e conta a história de Henry Roth (Sandler) um veterinário que se apaixona perdidamente por Lucy Whitmore (Barrymore). O problema é que Lucy sofreu um acidente de carro há anos atrás que a deixou com uma falta de memória: ela se esquece rapidamente de tudo o que faz. Henry então tem um desafio: conquistar Lucy dia após dia.

Meninas Malvadas10) Meninas Malvadas: E pensar que há dez anos atrás, Lindsay Lohan, Amanda Seyfried e Rachel McAdams encarnavam adolescentes irritantes que lutavam por popularidade no colégio. Já disse isso aqui anteriormente: esse filme foi um estouro (se tornou um clássico) e, apesar de ser um clichezão, é gostoso de assistir. Dirigido por Mark Waters e escrito por Tina Fey, o filme conta a história de Cady Heron (Lohan), uma adolescente de 17 anos que cresceu na África e sempre estudou em casa. Cady muda-se com os pais para os EUA e passa a frequentar a escola, mas enfrenta inúmeros problemas, a começar por Regina George, a chefe de um grupinho de garotas venenosas e totalmente superficiais.  Inusitadamente, Cady recebe o convite para fazer parte do grupo da Regina (“as poderosas”) e ela fica divida pois não que abandonar seus amigos impopulares.

as-horas11) As Horas: Eu sou apaixonada (apaixonadíssima com esse filme) e custei pra crer que ele já tem dez anos. Não bastasse um time fantástico de atores, de uma fotografia linda e de uma trilha sonora mais bonita ainda (feita pelo incrível Philip Glass), “As Horas” é daqueles filmes que te faz se emocionar sem esforço. (Espero não ter exagerado nos adjetivos, mas eu realmente gosto dele.)

Dirigido por Stephen Daldry (O leitor; Tão forte e tão perto), o filme se passa em três períodos diferentes e conta a história de três mulheres ligadas ao livro “Mrs Dalloway”: Virginia Woolf (Nicole Kidman), autoria do livro – que enfrenta uma depressão,  Laura Brown (Julianne Moore) uma dona de casa que planeja uma festa para o marido e Clarissa Vaughn (Meryl Streep) uma editora que vive em NY e tem um amigo chamado Richard (Ed Harris), um escritor que tem Aids e que está morrendo. Aliás, todas as personagens tem um quê “lésbico”…

narradores de jave212) Narradores de Javé: Eis a prova de que o cinema brasileiro (mesmo que essa gente chata diga que não, rs!)  tem seus acertos. Dirigido por Eliane Café, o filme – que é uma delícia de assistir – conta a história de uma pequena cidade que será submersa pelas águas de uma represa. Os moradores descobrem que a ‘inundação pode ser impedida se a cidade tiver um patrimônio histórico e por isso, decidem escrever a história da cidade (chamada Javé), mas encontram um grande problema: apenas um morador sabe escrever, o carteiro. “Narradores de Javé” foi bem recebido pela crítica, venceu vários prêmios, entre eles o de melhor filme no VII Festival Internacional de Cinema de Punta del Este.

grande menina, pequena mulher13) Grande Menina, Pequena Mulher: Dakota Fanning é uma atriz incrível. Outro dia eu estava assistindo um episódio de Friends, onde ela aparece: ainda pequenininha, dando um show de interpretação. Também gosto muito da Brittany Murphy, acho ela tão carismática em tela (pena mesmo ter falecido). Pois bem, Fanning e Brittany formaram uma dupla sensacional. Dirigido por Boaz Yakin, o filme conta a história de Molly (Murphy), uma jovem mimada que vive da fortuna deixada por seu pai, um astro do rock já falecido. Após perder toda a sua herança, Molly se vê obrigada a trabalhar como babá de Ray (Fanning), uma garotinha precoce, de apenas oito anos e não é lá muito amigável. Gosto muito desse filme e da música final…aliás, sempre choro no final…

Prenda-me se for capaz14) Prenda-me Se For Capaz: Filmão, daqueles que te prendem do início ao fim! (aliás, adoro essa capa). Dirigido por Steven Spielberg, “Prenda-me se for capaz” conta a história de Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) um golpista experiente e esperto que já se passou por médico, advogado e co-piloto (tudo isso com apenas 18 anos). Frank, que já realizou golpes milionários, só tem um problema: Carl Hanratty (Tom Hanks), um agente do FBI que faz de tudo para capturá-lo.

Os incríveis15) Os incríveis: Adoro animações e essa não podia faltar na lista. Produzido pela Disney e dirigido por Brad Bid, o filme conta a história de Roberto Pêra, um super herói aposentado que morre de vontade de voltar a ativa. Há quinze anos, Roberto se envolveu em um problema: impediu um homem de se matar. O homem não gostou, entrou com um processo e ganhou na justiça. A indenização custou caro ao estado e assim, Roberto foi forçado a abandonar a profissão para levar uma vida comum…

Acontece que não é só Roberto que tem super poderes e sim, sua família inteira! Sua mulher Helen é a famosa “mulher elástico” e seus três filhos também desenvolveram super poderes. A oportunidade de voltar a vida de herói surge um estranho vilão faz  um comunicado misterioso e convida Roberto para uma missão secreta em uma ilha remota. * Só pra constar, “Os Incríveis” é o mais longo filme de animação em computação gráfica já produzido até o seu lançamento.

Carrie, a estranha

A nova versão de “Carrie, a estranha” foi um dos filmes que mais esperei esse ano. Tive a oportunidade de assisti-lo ontem e apesar das poucas surpresas, saí da sala satisfeita. Dirigido por Kimberly Peirce (Os meninos não choram), o longa faz uma releitura do famoso romance escrito por Stephen King (em 1974) e traz Chloe Moretz e Julianne Moore nos papéis principais.

Carrie ChloeA trama conta a história de Carrie White, uma adolescente introvertida que sofre perseguições na escola e é reprimida pela mãe (uma religiosa extremista). Durante o colegial, Carrie passa por inúmeras situações constrangedoras e sofre  com o deboche dos colegas que não compreendem seu comportamento. Não bastasse a desconfortante situação, Carrie descobre que possui poderes telecinéticos.

King escreveu Carrie quando tinha apenas 26 anos. Diz a lenda que ele quase desistiu de publicá-lo, mas foi impedido por sua esposa. Em 1976, Brian de Palma se interessou em filmá-lo; na época King recebeu apenas 2.500 dólares pelos direitos do filme, mas acreditava que estava com sorte por esse ser seu primeiro livro.

Brian de Palma escolheu para o papel principal a Sissy Spacek, na época uma atriz desconhecida. Para o papel de Margareth, Piper Laurie – que assim como Spacek – recebeu uma indicação ao Oscar. O filme, que foi um estouro, contava com outros atores principiantes, entre eles: Amy Irving, John Travolta e William Katt.

Um remake desnecessário

Sou apaixonada por Julianne Moore e espero que seus fãs não me levem a mal, mas a nova versão de “Carrie, a estranha” não supera, de forma alguma, o trabalho de Brian de Palma. Como disse anteriormente, é um bom filme… mas desnecessário. Pra começar, Chloe Moretz (que é uma ótima atriz, grande promessa) não é uma garota estranha, não tem maturidade para o papel e não convence. A pequena, que aliás – é linda – faz caras e bocas e exagera em momentos que sugerem introspecção. Angela Bettis (que interpretou Carrie, em 2002) e Sissy Spacek levam todo o mérito, estavam perfeitas.

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[ Aliás, só pra constar, adoro o jeito que a Angela Bettis entorta os olhos quando Carrie começa a desenvolver seus poderes. A atriz, que é realmente estranha, sabe a medida certa do personagem e nos faz ter dó e medo ao mesmo tempo. ]

A versão de 2013 tem os efeitos tecnológicos a favor e faz com que o filme fique mais dinâmico, mais surpreendente – o que é uma vantagem, mas não o principal. Além disso há um acréscimo a história, as redes sociais. Quando Carrie menstrua pela primeira vez e passa pelo vexame público, suas colegas não só debocham dela como também publicam o vídeo na internet, gerando uma onda de cyberbulling.

As diversas faces de Margareth White

ImagemJulianne Moore impressiona desde a primeira sequência em que aparece em cena. Aos berros e completamente ensanguentada, Margareth acredita que está morrendo de câncer quando na verdade está dando a luz a uma menina. É admirável a maneira em que Kimberly Peirce consegue nos fazer perceber, já no início do filme, o fanatismo dessa mulher que ao se deparar com o bebê se questiona se deve entregá-lo ou não a Deus. O nascimento de Carrie (que não é tão bem explorado nas outras duas versões) é, sem dúvidas, um importante aspecto que nos faz compreender a complexidade dessa relação desde o ponto de partida. No longa de 2002 a passagem do nascimento é muito rápida e a Patrícia Clarkson já aparece com o bebê no colo, sem nenhum tipo de diálogo.

Piper Laurie traz uma Margareth intensa, que fala alto e às vezes até exagera em suas ênfases. É a típica religiosa fervorosa. A atriz explora não só a alma do personagem como também o seu corpo, o que permite que a Margareth da primeira versão seja muito mais teatral do que as outras. É engraçado porque o aspecto de Laurie, com aqueles cabelos vermelhos e volumosos, dá ao personagem uma certo mistério e sensualidade que falta nas outras versões. Enquanto Moore e Clarkson optaram por uma Margareth mais introspectiva, Laurie faz com que Margareth pareça mais lunática, mais cruel e assustadora – e que quase tem orgasmos enquanto reza.

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A versão de 2002 apresenta uma Margareth menos violenta do que as outras, ela não tem o costume de bater na filha, a tortura é muito mais psicológica do que física. Clarkson também não apresenta as características mais marcantes da Margareth: os cabelos desgrenhados e o autoflagelo. Apesar disso, Clarkson é perfeita para o papel, em nenhum momento duvidamos do seu fanatismo e de sua crueldade. Ela constrói uma Margareth observadora e silenciosa. Moore também segue essa linha, mas é mais materna e protetora do que as outras.

Uma das coisas que mais me agradou na última versão é que fica muito claro que Margareth é uma mulher doente e sádica. As passagens em que Moore se autoflagela (bate a cabeça na porta, arranha o braço e corta a perna) mostra o quanto ela é insana e perigosa. Moore está muito menos caricata do que Laurie e nos permite imaginar que Margareth poderia ser uma mulher qualquer, uma pessoa comum, morando ao nosso lado, frequentando os mesmos lugares que a gente e passando desapercebida.

ImagemSobre a morte da Margareth, apenas uma observação: nada se compara com a cena do primeiro filme. A versão de 2002 e a de 2013 possuem a tecnologia e os efeitos de vídeo a favor, mas o de 1976 não é só mais denso como também mais obscuro. Em 2002, a Margareth morre de um ‘infarto’ provocado por Carrie, o de 2013 é mais fiel e Margareth morre esfaqueada. Em 1976, Margareth – depois de tentar assassinar a filha, também morre esfaqueada e fica pregada na parede em uma posição que parece com Jesus Cristo crucificado, mas Laurie não apenas atua, ela dá um SHOW! É difícil exprimir a intensidade da cena, a forma em que ela se regozija enquanto morre. A cena é maravilhosa e não é atoa que se tornou clássica.

Pelos olhos de Maisie

Maisie é uma garotinha de seis anos que vive um cotidiano tumultuado após o divórcio dos pais. Sua mãe, Susanna (Julianne Moore) é uma estrela de rock e seu pai Beale (Steve Coogan) é um ocupado e influente galerista. Sua principal companhia é a babá, mas ela acaba se casando com seu pai e Maisie se vê em uma situação delicada. Atenta as brigas judiciais por sua guarda, a pequena se torna uma espectadora das ações dos outros personagens e sofre com as atitudes inconsequentes dos adultos. Pouco tempo depois sua mãe se casa com um completo desconhecido e ela se vê novamente sem lugar…

what-maisie-knew-filmBaseado no livro de Henry James, a produção de 2012, dirigida por David Siegel e Scott McGehee é um delicado registro de uma história simples, mas cheia de significados. Com uma fotografia primorosa e atuações fortes, Pelos olhos de Maisie retorna uma antiga discussão: a importância da figura paterna/materna na vida da criança e as consequências do divórcio. Julianne Moore, no papel de Susanna, traz a tela uma mulher contraditória, que ama a filha mas que prefere a carreira. O comportamento explosivo da mãe, a música alta e o excesso de bebidas é observado por Maisie que, apesar de desconfortável, é levada a entender (ou a fingir) que aquele é o melhor ambiente pra ela.

No início não nos é confidenciado, mas aos poucos percebemos que os pais de Maisie não possuem estrutura. Apesar do aspecto financeiro bem resolvido, o lado emocional da pequena é deixado de lado e os pais tendem a priorizar apenas seus objetivos.  Logo depois que Susanna se casa, seu marido Lincoln (Alexander Skarsgard) se aproxima de Maisie de uma maneira carinhosa e sincera. O que poderia ser uma solução acaba virando um contratempo, já que Susanna tem ciúmes e não abre mão de ocupar o primeiro lugar na vida da filha.

Em outra perspectiva, acompanhamos a relação de Maisie com a babá Margo (Joanna Vanderham), a única que consegue estabelecer um diálogo com a menina, sem qualquer constrangimento. Apesar das contradições, Maisie é uma garota muito amada, o problema está na forma em que os adultos demonstram esse sentimento. Um fato que chamou atenção (e que foi muito bem articulado pelos produtores) é a ênfase na relação de Maisie com os adultos, poucas crianças aparecem no longa e quando aparecem estão em situações secundárias.

Outro fato interessante é que uma das características marcantes de Maisie na versão literária é que ela é uma garota que dissimula muito bem e tenta não se importar com a indiferença dos pais. Ela joga o mesmo jogo dos adultos e age como se, de fato, não soubesse de nada. Esse detalhe também é percebido no filme, quando Susanna, por exemplo, pergunta a Maisie se seu pai e a babá se beijam. Apesar de saber o que se passa, a menina finge um desconhecimento. O destaque do filme vai para Onata Aprile, que apesar de estar ao lado de famosos nomes do cinema se sobressai em cena em uma atuação confiante e sem rodeios.

film-whatmaisieknew-500  – O livro: Publicado em 1897 o romance Pelos olhos de Maisie é uma das obras mais importantes de Henry James, escritor e filósofo norte-americano também autor de A fera na selva (1903) e Retrato de uma senhora (1881). A história se passa em Londres, mas os personagens viajam com frequência por diversos países como Florença, Bruxelas e Paris.  James fez com que a história tivesse vários cenários e ambientações para mostrar que Maisie vivia a mercê das decisões dos adultos e que muitas vezes, era como um joguete e que vivia alternamente ao cuidado dos outros. Publicado depois de o autor ter realizado seu primeiro trabalho com método cênico, Pelos olhos de Maisie apresenta várias passagens com escrita teatral.

Confira o trailer!

Julianne Moore (uma releitura artística)

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Adele Bloch Bauer, de Gustav Klimt

Woman With a Fan, de Amedeo Modigliani

Woman With a Fan, de Amedeo Modigliani

Seated Woman With Bent Knee, de Egon Schiele.

Seated Woman With Bent Knee, de Egon Schiele.

Little Dancer, Aged Fourteen, de Edgar Dega

Little Dancer, Aged Fourteen, de Edgar Dega

Julianne-Moore-by-Peter-Lindbergh-as-Madame-X-by-John-Singer-Sargent-for-Harper’s-Bazaar.

Madame X, de John Singer Sargent

Man Crazy Nurse #3, de Richard Prince

Man Crazy Nurse #3, de Richard Prince

The Cripple, de John Currin

The Cripple, de John Currin

*As imagens foram realizadas por Peter Lindbergh, [fotógrafo alemão influente (que trabalhou com diversas ‘supermodelos’ da década de 1990) e que tem vários trabalhos impactantes no currículo como filmes e documentários (vide Pina Baush). ] para a Harper’s Bazaar.

Ensaios sobre a Cegueira, um olhar sobre a vergonha

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Escrevi este texto no primeiro período de faculdade, muitas coisas mudaram desde que me formei, mas uma delas continua: o meu respeito e a minha admiração por José Saramago, do qual li pela primeira vez ainda com 14 anos…

A cegueira inicia-se em apenas um homem e repentinamente alastra-se a outras pessoas de maneira inexplicável. Assim o filme “Ensaio sobre a cegueira”, baseado na obra do escritor português José Saramago, aborda a história de uma epidemia que se distingue da cegueira usual, uma vez que ao invés da escuridão, os cegos possuem a percepção de uma “cegueira branca”. Os contaminados são enviados a um manicômio, e passam a viver de forma animalesca, relegados à própria sorte. Somente uma mulher consegue enxergar, e dessa forma, acaba se tornando a única testemunha ocular de tal degradação.

A obra ilustra a fragilidade das relações humanas, das imposições morais, dos preconceitos.  A cegueira (também passível de outras interpretações) pode ser entendida como uma imperfeição ética, que se encontra no âmbito das escolhas pessoais ou coletivas comuns no cotidiano.

Os artigos “Culpa e vergonha”, “Privilegiados sem Vergonha”, “Dois tipos de vergonha” e “ A vergonha de ser pobre”, do psicanalista Contardo Calligaris, também ilustram outra característica importante dos costumes ocidentais e consequentemente brasileiros; a vergonha. Assim, como os personagens do filme, que não enxergam  e não respeitam as regras básicas de convivência, tornou-se comum agir por impulso. A vergonha não é pelo ato, e sim, para o que ele possa representar na sociedade. A preocupação é pela reputação.

As identidades deixam de se basear no que se é, para se basear no que se tem. No filme, um dos grandes problemas é que as pessoas não podem ser identificadas pela aparência ou pelo nome, a falta de visão, obriga-os a se conhecerem melhor. Não distante disso, em nossa realidade, o que se percebe é a existência de relações supérfluas, criadas por interesse, pela necessidade de ostentação. Exemplo disso, são os neoprivilegiados descritos por Calligaris, que “sobrevoam a Ilha Grande em vôo rasante”.

Por fim, a relação conflitante entre dominantes e dominados, resultado não só da violência, mas também de humilhações causadas aos menos favorecidos, torna-se algo recorrente, retratada de diversas formas pela mídia e compreendida pela população como algo banal.