Strange like Me

Zen Pencils!

Frida

FridaKa

11351203_10153100841923089_5618766205673167917_n11329852_10153100842688089_3691739764494717737_n11401212_10153100842963089_5204510352504736143_n17652_10153100843183089_8219039405321559623_n

Anúncios

Se eu fosse cantora, eu gostaria de ser como…

Semana passada estava assistindo ao Fantástico e vi que o resultado de uma pesquisa sobre profissões, indicou que o sonho da maioria das mulheres brasileiras, quando crianças, era “Ser Cantora”. Fiquei pensando com os meus botões, naqueles pensamentos que a gente tem e que não servem para nada e que não nos leva a nada…

Mesmo assim, fiquei me perguntando, e “Se eu fosse cantora, gostaria de ser como?” Quero dizer, com qual cantora eu gostaria de parecer? Quais cantoras me inspiram? Eis a resposta…

Mercedes Sosa, La Negra: “A voz dos sem voz”. Conheci a sua música exatamente no ano em que morreu, 2009. Lembro que fazia uma pesquisa sobre a Elis Regina e acabei sendo redirecionada para um de seus vídeos, ela cantava “Solo le pido a Dios”, uma das músicas mais lindas que eu já ouvi – um verdadeiro hino. Quando penso em Sosa, logo me lembro da Violeta Parra – as duas, consideras as vozes mais famosas da América Mercedes SosaLatina. Não é para menos, Sosa, inclusive, foi uma das defensoras do pan-americanismo – uma luta pela integração latina. Era mais do que uma cantora, tinha mais do que uma voz bonita, era uma ativista política e deixou um incrível legado que defendia a busca primordial pela paz e pela justiça. Aliás, seu legado não ficou só para a Argentina, a sua ‘pátria’ … ficou para todos os povos – é por isso que Sosa é universal.

Quando vi a Gal Costa pela primeira vez, em um show realizado aqui em Belo Gal CostaHorizonte, confirmei toda as expectativas que tinha sobre a sua figura: seu comportamento, quase agressivo e ao mesmo tempo extremamente doce (o que configura um louco – mas compreensível, paradoxo) era quase que uma retrospectiva de tudo o que eu li, vi e ouvi a seu respeito e que me fizeram admirá-la tanto. Gal cantava no palco, atingia notas altas com aquela voz única (sem o maior esforço) e eu, na plateia, via parte da tão complexa história do Brasil retratada em suas veias. Admirava a sua sensualidade e conforto, certeza como mulher e personalidade pública. Cheguei a escrever sobre ela, leia mais aqui se tiver interessado.

edithAcho que Edith Piaf está para a música assim como Frida Kahlo está para a pintura. Não sei se é uma comparação correta, por isso devo trabalha-la de uma melhor forma. Conheci a história de Piaf muito antes de vê-la virar filme, li em algum lugar sobre a sua história de tristeza, sofrimento, dor e abandono que, de certa forma, refletiram na sua música. Fiquei encantada como ela se entregou às paixões, como teve uma vida de excessos, luxos e glamour – contrastante com sua infância, pobre e solitária. Talvez, por isso a relaciono com a Frida – que igualmente teve uma vida repleta de dor (física e emocional) e conseguiu, de maneira sublime, transportá-la para a arte. Penso em Piaf com admiração e com tristeza, de certa forma, ela definhou diante do público – morreu com apenas 47 anos, completamente viciada…

Elis Regina marcou a minha vida e a minha história, sempre fui apaixonada por sua elis reginamúsica e principalmente por sua personalidade. Li inúmeros livros e artigos sobre ela, sua voz embalou momentos incontáveis da minha infância e adolescência. Se todas as cantoras que citei acima eram corajosas, ela era corajosa e mais… era atrevida – aliás, extremamente lúcida, se posicionava politicamente, defendia o direito das mulheres, não abria mão de sua liberdade de expressão (ou física). Também teve uma história incrível, uma morte inesperada e chocante, Elis se foi cedo demais, aos 37 anos.

Nana CaymmiSei muito pouco, ou quase nada da vida e da história da Nana Caymmi, mas ainda assim, considero a sua voz uma das mais bonitas que já ouvi. Me atreveria a dizer, a mais bonita. Singular, única, especial… quando Caymmi canta Pop Zen ou Resposta ao Tempo, não há quem se iguale – aquele tom aveludado, sem esforço e sem igual. Sei que Nana se impôs diante do marido que não respeitava a sua vontade de cantar e se não me engano, chegou a abandoná-lo e criar as filhas sozinhas – um forte indício de coragem e determinação.

História de Mulheres

Imagem

Frida Kahlo por Aleya Moreno

Durante algumas semanas uma querida amiga da faculdade, insistiu para que eu procurasse um livro da jornalista espanhola Rosa Montero. Ela passava os dias falando sobre “A louca da casa”, obra que Motero escreveu em 2003. Eu, atolada com os trabalhos do fim do semestre, acabei me esquecendo da autora.

Há um mês fui convidada a participar de um grupo de trocas. Ofereci um DVD da Elis Regina e pedi um livro. Por ironia do destino, recebi “Historia de Mulheres”, publicado em 1995 – uma coletânea de 16 pequenas biografias de personalidades femininas. Comecei a lê-lo sem interesse, sem nem me dar conta de que a autora  era a “tal” jornalista que a minha amiga tanto falava. Devorei as páginas em uma semana e fui pega por um êxtase de admiração e curiosidade. É duro admitir, mas fiquei com inveja da capacidade textual da Rosa Montero, que escreve maravilhosamente bem e tem um trabalho jornalístico impecável.

Logo na introdução, Montero reconhece que listas são excludentes e que a escolha de dezesseis biografias fatalmente deixam de fora outras mulheres com histórias tão admiráveis quanto as que foram narradas. Com um trabalho extenso, quase visceral, Montero passou dias e noites analisando documentos, lendo bibliografias e fazendo entrevistas. O livro é, na verdade, a reunião da série de textos – um pouco mais extensos, que Montero publicou no jornal El País.

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir

Montero questiona o papel secundário que foi dado a mulher na sociedade e perpassa pelas diferenciações hierárquicas entre os sexos. Através de uma dimensão histórica (desde o início dos tempos, com a criação de Adão e Eva) a autora relembra mulheres surpreendentes que, de uma forma ou de outra, acabaram esquecidas pela história:

“Mais fascinante ainda é a história de Lilith. A tradição judaica conta que Eva não foi a primeira mulher de Adão, pois antes existiu Lilith. E essa Lilith quis ser igual ao homem: indignava-se, por exemplo, de ser forçada a fazer amor embaixo de Adão, uma postura que lhe parecia humilhante, e reclamava os mesmo direitos do varão. Adão, aproveitando-se de sua maior força física, tentou obrigá-la a obedecer, mas então Lilith o abandonou.  Foi a primeira feminista da Criaçao, mas suas moderadas reivindicações eram certamente inadmissíveis para o deus patriarcal da época, o qual transformou Lilith numa diaba matadora de crianças e condenou-a a padecer a morte de cem de seus filhos a cada dia, horrendo castigo que emblemiza à perfeição o poder do macho sobre a fêmea.”

Camille Claudel

Camille Claudel

As biografias são romantizadas, coisa que Montero faz muito bem. Em “A eterna fugitiva”, Montero narra a história de Agatha Christie e conta detalhes curiosos sobre a escritora. Christie não gostava de tirar fotografias, principalmente depois que fez quarenta anos e engordou muitíssimo. Preocupada com a aparência, a escritora não gostava de aparecer sorrindo nas fotos: tinha os dentes podres. Em 3 de dezembro de 1926, Agatha desapareceu. Traumatizada com a morte da mãe e com a traição do marido, simplesmente sumiu sem deixar pistas. Foi encontrada onze dias depois em um hotel, tinha perdido completamente a memória (“escapado de sí”). Nos fins dos dias, foi perdendo completamente o juízo, falava coisas sem nexo e cortava mechas do próprio cabelo – e que tanto se orgulhava.

Outra figura interessante é a Lady Ottoline Morrell uma britânica milionária que era “alta, tinha cara de cavalo e cabelo de fogo”. Durante grande parte da vida, Ottoline dedicou-se a um salão artístico por onde passaram figuras conhecidas como Virginia Woolf, Lytton Stratchey, Henry James, T.S. Elliot, Charles Chaplin e Bernard Shaw. Apesar de ser mecenas, apoiar e financiar artistas, Ottoline Morrell era quase sempre ridicularizada por eles. Aos 55 anos teve um câncer na mandíbula que a deixou desfigurada. Não bastasse, perdeu todo o dinheiro com as festas que oferecia aos artistas e descobriu as zombarias que faziam dela.

Montero afirma que apesar de sua fama de ‘aristocrata horrorosa e extravagante’, Ottoline – quando jovem – não era feia coisa nenhuma: “ É inquietante que essa mulher que foi uma das mais famosas beldades de sua época, acabe transformada, na velhice, no próprio simbolo da feiura e patetice” Mesmo depois do câncer (e das terríveis dores que sofria), Ottoline aguentou as humilhações e sofrimentos e continuou recebendo artistas em sua residência – só que de uma forma mais modesta. Morreu aos 64 anos, vitima dos estragos da doença e do tempo.

Agatha Christie

Agatha Christie

De todas as histórias, a que mais me chamou atenção foi a da Aurora Rodríguez, que nasceu em El Ferrol por volta de 1880. Uma de suas irmãs solteiras teve um filho, o abandonou e foi para Paris. Aurora o criou e incentivou seus estudos de música. O garoto, chamado Pepito Arriola tornou-se um menino prodígio e aos oito anos já era um sucesso internacional. Sua mãe, voltou de Paris e o levou embora, “coisa que Aurora não pôde perdoar”.

Aurora, que era uma mulher lunática e paranoica, planejou uma gravidez. Com astúcia procurou um progenitor: um padre aventureiro chamado Alberto Pallás. Em 1914 deu a luz a Hildegart (nome que significa “Jardim de Sabedoria”) e logo tratou de incitar-lhe aos estudos. “Quando Hildegart nasceu, Aurora começou a treiná-la desde o primeiro dia, como quem destra um animal. Antes de completar três anos, Hilde falava e escrevia corretamente, aos oito dominava quatro idiomas e era versada em filosofia e temas de educação sexual. Aos quatorze escrevia artigos para El Socialista e nessa época já se tornara famosa”.

Hilde concluiu a faculdade de direito aos 17 anos e aos 18 cursava medicina. Recebeu um convite de Havellock Ellis para ir a Inglaterra e aceitou. Sua mãe, possessiva e enciumada, a torturava psicologicamente e implorava para que ela ficasse. “Aurora sentia que a criatura lhe escapara, paranoica, considerava que Havellock Ellis fosse um espião que queria perverter sua filha”.  Três dias antes da data de partida, Aurora passou a noite velando ao pé da cama da filha vendo-a dormir e quando já estava clareando disparou-lhe quatro tiros a queima roupa, um na cabeça e três no peito que a mataram na hora. No julgamento Aurora afirmou que essa tinha sido a sua mais bela obra: “É muito mais penoso matar uma filha do que pari-la, de parir, todas as mulheres são capazes, mas de matar seus filhos não”.

Aurora e Hildegart Rodríguez

Aurora e Hildegart Rodríguez

Eu acho que eu poderia passar o resto do dia, da semana ou do mês falando desse livro. Mas, reconheço que esse texto já está maior do que devia. Só pra constar, a Rosa Montero também fala sobre: Mary Wollstonecraft, Zenobia Camprubí, Almaa Mahler, María Lejárraga, Laura Riding, George Sand, Isabelle Eberhardt, Margareth Mead, Camille Claudel, Irmãs Bronté e Irene de Constantinopla.

E pra terminar, separei umas frases do livro que eu mais gostei:

– “Todos carregamos dentro de nós nossa própria morte, toda vida é ir desvivendo”.

– sobre a Frida Kahlo: “Frida era muito bonita. Ou mais do que bonita, era tremenda. Tinha olhos ferozes e maravilhosos, boca perfeita sobrecenho hersuto, bigode apreciável. Certa vez ela o raspou e Diego ficou furioso: de algum modo os atributos sexuais dos dois eram trocados, porque ele tinha grandes peitos de mulher que a encantavam”

– sobre Margaret Mead: ” Seria cabível perguntar-se o porquê de uma mudança tão notável: as causas ocultas, o que aconteceu com ela por dentro. Há pessoas que, com o transcorrer da vida simplesmente envelhecem, outras, mais sábias ou afortunadas, vão amadurecendo. Outras, ao contrário apodrecem e outras ainda, enfim, se desbaratam, e todos esses processos têm frequentemente um claro reflexo no aspecto físico”

BIBLIOGRAFIA: Montero, Rosa, 1951 – História de Mulheres/ Rosa Montero / tradução Joana Angélica d’Avila Melo – Rio de Janeiro: PocketOuro, 2009.

 

Soy Frida


Quando penso em Frida Kahlo faço logo uma associação entre beleza e dor. Em uma das diversas conversas que tive com um professor da faculdade, me remeti logo as sensações das tragédias que foram vividas pela artista. Hoje de manhã ele me disse: “tristeza menina, é viver sentindo dor”. E do pouco que conheço sobre a vida de Frida, sobre o relacionamento conturbado com Diego Rivera, do acidente que a deixou imobilizada e da saúde frágil que tinha, tudo o que me parece sobressair dessa figura é uma força incontestável, um atrevimento, uma disputa com a morte, uma ausência de vergonha ou culpa.


Sabe, e a vida dela foi marcada por tantos acontecimentos trágicos:

*quando tinha seis anos contraiu poliomielite que ocasionou uma lesão no pé direito, assim usava calças e meias longas para esconder a perna raquítica.

*Aos 18 anos, em 1925, sofreu um acidente de ônibus. Teve fraturas múltiplas na espinha (uma barra de ferro atravessou suas costas e a artista teve a pélvis perfurada).

* Durante um longo processo de recuperação, começou a pintar. Depois de um conturbado relacionamento com Diego Rivera, sofreu dois abortos (era o que mais lhe doía).

É claro que a vida de Frida não foi só de tristeza. A pintora viajou meio mundo, amou loucamente! Frida não deixava as traições de Diego por menos, namorava também com homens e mulheres (entre eles Josephine Baker e Leon Trotsky). Mas a melancolia das suas pinturas, a tristeza que escorre em seus olhos e que muitas vezes choca são muito tocantes. E sabe o que eu penso? Bom, eu acho que todos nós temos um pouco de Frida Kahlo, todos nos sabemos qual é a dor que nos dói mais (seja ela física ou não). E essa dor é tão vasta, e tão universal que nos une…