O Clube das Desquitadas

ClubedasDesquitadasSe eu fizesse uma lista com filmes a indicar para todas as minhas amigas, “O Clube das Desquitadas” estaria nela – na segunda posição. Antes só viria Thelma e Louise. Eu perdi as contas de quantas as vezes eu assisti esse filme e acho que não sei explicar a sensação boa que tenho quando o assisto. Tenho ele em dvd e é uma das minhas preciosidades. Existem muitos aspectos que me fazem gostar de “O Clube das Desquitadas” a começar por cinco das minhas atrizes favoritas: Goldie Hawn, Bette Midler, Diane Keaton, Stockard Channing e Maggie Smith.  – E sim, eu tenho muitas atrizes favoritas.

É incrível como elas possuem uma sintonia e como conseguem fazer histórias dramáticas parecerem tão engraçadas. Aliás, este é um mérito de quem concebeu a trama, fazer o público rir, mesmo diante de histórias tão tristes.  Hoje, estudando um pouco sobre a construção de arquétipos, vejo que esse filme tem tanto equilíbrio, exatamente por causa da boa construção dos personagens. Acho que no fundo, toda mulher (e talvez, todos os homens) possuem um pouco de cada uma das protagonistas.

Para quem nunca assistiu, acho que vale um breve resumo. Trata-se da história de stockard-channing-firstwivesclub-5quatro amigas que, na juventude, estudaram juntas. Anos depois, uma das amigas (a Cynthia) comete suicídio. No velório, Elise, Brenda e Annie se reencontram e descobrem que a vida de cada uma delas tomou rumos bem diferentes. No entanto, as quatro possuem algo em comum: foram traídas ou abandonadas por seus respectivos maridos.


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Não se trata de uma luta contra os homens, ainda que uma interpretação superficial nos faça entender isso. Acho que a história por trás de cada uma das personagens é muito mais complexa. A começar pela concepção errada (e muito difundida) de que ao amadurecer, a mulher perde o seu valor, seu potencial de sedução. Elise tem um problema muito evidente em relação à beleza. A quantidade de intervenções cirúrgicas demonstra (de uma forma muito ácida e engraçada) sua insegurança. Mas, afinal… qual é a mulher que não se preocupa em estar bela?  O fato é que somos ensinadas e sofremos uma certa pressão por estar belas. Não só as mulheres, os homens também! – Aliás, sobre a Elise, vocês sabiam que quem iria interpretá-la era a Jessica Lange? Mas, ela desistiu na última hora.

the first wiveA Annie por outro lado é aquele tipo de mulher que foi ensinada a se comportar. A não gritar fora de hora, a se desculpar todo o tempo. O mundo pode estar desmoronando, mas você precisa manter a pose. É mais fácil achar e dizer que está feliz, viver a aparência, do que reconhecer o fracasso. Não sou muito chegada nessa personagem porque acho ela um pouquinho histérica…

A Bette Midler, ah! Bette Midler… De verdade, eu amo essa mulher, as caras e Brendabocas que ela faz… e adoro a Brenda – me identifico, rsss. Vejo um crítica à concepção que encara as donas de casa de uma maneira pejorativa. Uma das amigas se tornou atriz em Hollywood e nem por isso, teve uma vida menos merda do que a da Brenda. A Brenda é o centro das piadas, é a gordinha, e “gordo sofre”. Praticamente todas as piadas envolvem o peso dela e, em certo ponto,ela passa a fazer piadas com o próprio peso – mas, com um tom bem sarcástico e delicioso.

And don’t tell me what to do
And don’t tell me what to say

Por fim, depois de tanto falar… acho que a mensagem final, transmitida por “You Don’t Own me“, música imortalizada na voz da Lesley Gore, diz muito e diz o necessário.  Não existe nada mais importante que a liberdade, e mulheres (e homens), se valorizem! 


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9 filmes sobre adoção

Ontem uma colega me pediu uma dica, disse que precisava de nomes de filmes sobre adoção pois queria assistir com umas crianças do colégio. Imediatamente lembrei de alguns, mas percebi que nunca prestei atenção sobre o tema. Em princípio, a ideia me pareceu fácil, mas quando fomos (juntas) colocar os títulos no papel conseguimos enumerar – sem a ajuda da internet, é claro – apenas nove! E, aliás, nem todos são infantis (o que me deixou um pouco frustrada). Relendo os títulos, não duvido que existam filmes mais apropriados…de qualquer forma, foi assim que a listinha ficou, dêem uma olhada:

1) O menino de ouro

ImagemNão sou muito fã desse filme porque além de inverossímil, carrega – em exagero – muitos clichês relacionados a drama familiares. Ainda assim, ele encabeça a lista porque é uma boa escolha para quem quer discutir adoção com uma criança. Além disso, o filme transborda humor, amor e magia e pode servir como passatempo. “Menino de ouro” é um filme de 2011, dirigido por Jonatah Newman, protagonizado por Toni Colette, Maurice Cole e Ioan Gruffudd. A trama conta a história de Alec e Zooey, um casal traumatizado pela morte de seu único filho. Anos depois do acidente eles decidem adotar uma criança e fazem uma rápida visita a um orfanato, lá avistam um menino lindo chamado Eli, mas não o levam para casa. Pouco tempo depois, Eli (que tem apenas sete anos) aparece inesperadamente na porta deles e afirma que a partir daquele momento serão uma família. Mesmo relutantes (já que não assinaram nenhum papel de adoção) o casal aceita Eli na casa. A chegada do garoto que provocas inúmeras surpresas e transformações na vida do casal.

2) O destino de uma vida

ImagemHá algum tempo comentei sobre esse filme no La Amora (confira!) e o coloco na lista porque  merece atenção. O Destino de uma vida (Losing Isaiah, 1995) é um daqueles dramalhões que te prendem do início ao fim. O longa conta a história de Khaila (Halle Berry), uma viciada em drogas que abandona o filho em um lixão. Por sorte, o garoto é salvo e vai parar no hospital. Lá, a assistente social Margaret (Jessica Lange) emocionalmente abalada pelo caso, decide adotá-lo. Passam-se dois anos, Khaila se reabilita e descobre que o filho, o pequeno Isaiah está vivo e então, decide recorrer à justiça por sua guarda. Ao longo da trama, a briga pela criança se torna também uma briga racial.

3) A estranha vida de Timothy GreenA estranha vida de TimothyEsse filme tem uma fotografia belíssima, é muito fofo e cheio de lirismo (aliás, tem uma pegada bem parecida com “Menino de Ouro” só que sem os exageros). A produção, dirigida por Peter Hedges, conta a história de Cindy e Jim (interpretados por Jennifer Garner e Joel Edgerton), um casal que já tentou de tudo, mas que não consegue ter filhos. Um dia os dois escrevem todas as características que gostariam que uma criança tivesse, colocam numa caixa e a enterram no quintal. Na manhã seguinte aparece na porta da casa um menino – já crescido – chamado Timothy Green. O garoto, além de ter misteriosas plantas crescendo em seus pés, possui todas as características que Cindy e Jim colocaram na caixa. Encantados, Cindy e Jim o levam para casa e passam a tratá-lo como filho, a medida em que cresce, Timothy transforma a vida de todos ao seu redor.

4) Meu Malvado Favorito

Meu malvado favoritoImperdível, encantador, delicioso! “Meu Malvado Favorito” é uma animação de 2010 que conta a história de Gru, um homem estranho que tem a ambição de ser o maior vilão do mundo. Enquanto disputa com Vetor pelo posto, Gru conta com a ajuda dos minions (uma multidão de bichinhos doidos, engraçados e amarelos!). Um dia, Gru se depara com três meninas orfãs que tentam lhe vender biscoitos, para não ser incomodado Gru as adota. Aos poucos ele vai sendo conquistado pelas garotas e começa a questionar seu plano maléfico de roubar a lua.

5) O pequeno Stuart Little

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Me sinto um pouco velha quando penso que assisti esse filme no cinema, quando tinha oito anos…anyway.  O pequeno Stuart Little tem uma daquelas lições deliciosas de que o amor e a união vencem no final, mesmo que um membro da família seja um rato. Produzido em 1999 e dirigido por Rob Minkoff, o filme conta a história do Sr e da Sr. Little, um casal que decide adotar uma criança e dar um irmãozinho para George. Um dia, os Little vão a um orfanato e se deparam com um rato que foi abandonado por seus pais e decidem adotá-lo. A chegada do pequeno traz muitas confusões para casa, a começar por Snowbell, o gato da família e por George, que não o aceita.

6) Juno

juno1Juno aborda diversos assuntos complexos (como gravidez na adolescência, barriga de aluguel e adoção) sem deixar que nenhum desses temas seja representado superficialmente, por isso o seu mérito. Produzido em 2007 e dirigido por Jason Reitman, o filme conta a história de uma jovem de 16 anos que engravidou acidentalmente e não sabe se deve criar a criança, abortar ou doá-la. Sem o apoio dos pais, nem do namorado, Juno pensa em abortar mas logo desiste da ideia. Com a ajuda de uma amiga procura por uma família perfeita para seu filho e acaba conhecendo Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal financeiramente estável que não consegue engravidar.

7) Matilda

still-of-mara-wilson-in-matildaNão sei se preciosa falar muito sobre esse filme, afinal… é um clássico! Matilda é um filme de 1995, dirigido por Danny DeVito. A trama conta a história de uma garotinha esperta e muito inteligente (ávida por conhecimento) que tem pais sem um pingo de paciência com crianças. Eles a mandam para uma escola que é dirigida pela cruel Agatha Trunchbull. A presença da professora Srta. Jennifer Honey faz com que a vida das crianças naquela escola fique mais ‘doce. A professora Honey logo percebe que há algo diferente com a garotinha e faz de tudo para ajuda-la. Entre travessuras e momentos divertidíssimos, a pequena descobre que possui poderes mágicos e decide usa-los para combater a monstruosa diretora.

8) Uma família inesperada

Uma familia inesperada

Assisti esse filme há muito tempo, muito tempo mesmo, mas ficou grudado na memória. Em princípio não ia colocá-lo na lista porque tinha a impressão que seria difícil encontrá-lo, mas fazendo uma pesquisa rápida, descobri que ele é fácil de achar – inclusive, está disponível no Youtube (com legendas em português). Na trama, Stockard Channing interpreta Barbara Whitney, uma mulher independente que namora um pintor e não é muito chegada em crianças. Um dia, sua irmã aparece e pede que ela cuide de seus filhos já que não sente amor por eles e não tem nenhum pingo de responsabilidade. Preocupada com as crianças, Bárbara as leva pra casa e se vê em um beco sem saída porque não faz ideia de como cuidar delas. Ao longo do tempo, Barbara cria um laço de amor com os meninos e começa a se dar bem com eles. Inesperadamente,  a irmã de Bárbara volta e tentar recuperá-los. Desesperada, Bárbara trava uma batalha judicial para impedir que sua irmã leve seus filhos embora.  (Produzido em 1996 e dirigido por Larry Elikann).

9) Chá com Mussolini

Cher (10)A primeira vez em que vi esse filme, achei muito chato… Depois revi e fui prestando atenção nos detalhes, no cuidado com o cenário e com a reconstrução de época, além as atuações belíssimas (palmas para Maggie Smith!) e dos diálogos marcantes. É um filme que vale a pena! A trama conta a história de Luca Innocenti, um menino que perdeu a mãe muito cedo e que não é reconhecido pelo pai (já que nasceu “fora do casamento”). Lucas acaba sendo criado por sua babá Mary e ao longo dos anos, desenvolve um apreço pela arte (principalmente pela influencia de Elsa, uma americana colecionadora de quadros). As mulheres que o cercam vivem comentando sobre política, fazem críticas ferozes quanto a sociedade e debatem acerca da situação do país. (Filme de 2000, dirigido por Franco Zeffirelli.

Dei uma pesquisada na internet e acho que esses três sites podem ajudar em boas dicas sobre filmes relacionados a esse tema:

* Filhos Adotivos

* Portal da Adoção

*Angaad (Associação Nacional dos Grupos de Apoio à adoção)

 

Sobre cinema, bruxas e poções

Engraçado, repararam que eu estou com mania de fazer listas? Pois bem, então vamos a mais uma: Bruxas.  [Ok, eu sei que estamos longe do Halloween ou qualquer data do tipo, mas é que outro dia eu fiquei horas conversando com uma querida amiga sobre a fórmula: bruxas+ cinema e nos lembramos de diversos filmes e personagens relacionados ao tema. Eu também sei que existem inúmeras dessas listas iguais ou parecidas a essa em outros sites, mas me deixem divertir um pouco vai!].

1) A Bruxa Má do Oeste: “Voe, voe, voe!”Não é atoa que ela vem na primeira posição da lista. Em 1939, Margaret Hamilton imortalizava a ideia (muito explorada no cinema e na literatura) de que bruxas são feias e narigudas (é claro, aos poucos esse imagem foi mudando, mas demorou.) Em “O Magico de Oz”, filme mais famoso da Judy Garland, a Bruxa Má do Oeste tenta vingar a morte da irmã, a Bruxa má do Leste (que morreu esmagada por uma casa que apareceu do nada!). De quem era a casa? Isso mesmo, de Dorothy. Só pra constar, Margaret Hamilton leva mais uma vez o mérito, nenhuma atriz queria fazer a bruxa. Hamilton (que sempre era colocada em segundo plano, fazia papéis pequenos e chegou a passar necessidades pela falta de trabalho) aceitou logo de cara e, convenhamos, fez um trabalho inesquecível.

Bruxa do Oeste 2) Winie, Sarah e Mary: Eu já falei aqui (diversas vezes, eu sei!) do quanto adoro o “Abracadabra” e… Fala sério, é uma delícia de filme, não? A trama conta a história de três irmãs (famosas bruxas de Salem) que são ressuscitadas após 300 anos por dois adolescentes que se negavam a acreditar em “lendas do Haloween”. As irmãs enfrentam diversas dificuldades para se adequarem ao mundo contemporâneo e se unem para roubar a juventude de pequenas e indefesas criancinhas. Clássico da Disney!  [Aliás, a Bette Midler está sensacional, não tem como não se apaixonar pela Winie – minha preferida – ou por suas falas e trejeitos engraçados].

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Hocus Pocus3) Elvira (a Rainha das Trevas!): Cara, como eu adoro a Elvira (e como eu fico com raiva dessa nova geração que nem sabe qual é a do personagem – fiquei parecendo muito velha falando assim?). Cassandra Peterson estava linda e aliás, que peitos inesquecíveis. Elvira é sexy e decadente, e recebe uma inusitada herança: uma mansão que fica localizada em Fallwell, uma cidade pequena e repleta de pessoas conservadoras. A bruxa decide reformar a casa e vende-la para depois mudar-se para Los Angeles e realizar o sonho de ser famosa, mas nesse meio tempo, encontra diversos empecilhos: a começar pelo “Tio Vincent” que faz de tudo para roubar o seu livro de receitas. [Cena Memorável: Elvira tentando fazer uma sopa e, de repente, sai um bicho monstruoso da panela!]

eLVIRA4) Eva: “Segurem essa titiquinha!!!” . Se existe um filme de bruxas que me marcou, definitivamente seu nome é “Convenção das Bruxas”. Primeiro porque, desde “A Família Addams” eu nutria um amor lunático por Anjélica Huston e segundo porque toda vez que ele passava na Sessão da Tarde minha mãe me deixava faltar de aula para vê-lo  (eu realmente gostava muito).  O filme conta a história de Luke, um garotinho de dez anos que viaja com a avó para a Inglaterra após a morte de seus pais. Ao chegar no hotel, ele descobre que há uma estranha convenção acontecendo por ali. Diversas bruxas do mundo inteiro estão reunidas para receberem uma poção mágica que transforma crianças em ratos. Luke tenta avisar aos adultos sobre o que se passa, mas ninguém acredita nele até que o pequeno decide resolver a situação sozinho.

EVA5) Sally, Gillian, Frances e Jet. Já li diversas críticas negativas em relação a “Da magia à sedução”, pois eu… acho uma fofura! Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) fazem parte de uma família de bruxas que foram “amaldiçoadas”: todos os homens com que se envolvem, morrem. Protegidas por suas velhas e excêntricas tias, as duas se vêem envolvidas em uma rede de paixões da qual não conseguem se desevencilhar. Enquanto Sally tenta levar uma vida normal ao lado de suas duas filhas, Gillian se envolve com um homem violento que coloca a segurança de sua família em risco.

da magia a seduçãotumblr_mvjzw8ivcz1slwpnwo1_5006) Minerva McGonagall: Não poderia deixar de citá-la, a professora McGobagall, interpretada por Maggie Smith: é meu personagem preferido na saga de Harry Potter, aliás, adoro os momentos em que ela se transforma em gata. Severa, justiceira e disciplinadora, Minerva acompanhou e ajudou o jovem Harry e seus amigos em diversos momentos, tornando-se um personagem muito querido. Gosto muito do trabalho da Maggie Smith nesse filme, poucos sabem que ela sofreu de câncer durante as filmagens e sentia dores terríveis na coluna. Nessa mesma época ela precisou sofrer uma cirurgia e por causa da doença se afastou definitivamente do teatro, coisa que a deixou muito abalado porque Smith sempre amou os palcos.

maggie smith 7) Sukie, Jane e Alex: O quê dizer de um filme que traz uma mistura de Susan Sarandon, Cher, Michelle Pfeiffer, Jack Nicholson, magia, sexo e humor?

tumblr_mj83o7mkOz1rtg76ko1_250susan sarandonDirigido por George Miller e produzido em 1987, “As Bruxas de Eastwick” conta a história de três amigas  que se reúnem todas as quintas-feiras para assistir filmes e fofocar, normalmente elas discutem sobre homens e sonham em encontrar um perfeito par romântico. Entediadas com a pacata vida que levam na pequena cidade de Eastwick e diferente dos moradores conservadores da redondeza, as amigas chamam atenção de Daryl Van Horne, um homem misterioso e extremamente rico, que acaba se envolvendo com as três (ao mesmo tempo!). É claro que o caso não passa despercebido pela vizinhança que faz de tudo para atrapalhar a vida do grupo. A medida que se envolvem com Daryl (que é, na verdade, o próprio demônio em pessoa), as mulheres passam a desenvolver poderes e fazem de tudo para satisfazer seus desejos.

O violinista que veio do mar

Aproveitando a onda de filmes que tenho assistido com Judi Dench e Maggie Smith, resolvi escrever sobre ‘O violinista que veio do mar’, produção de 2004 dirigida por Charles Dance. [este é o primeiro filme de Dance como diretor que, aliás, é um ator conhecido e atuou em vários filmes como Alien 3 e Game of Thrones]. A história se passa na década de 1930 e conta a história de duas irmãs: Úrsula e Janet que vivem sozinhas em uma pequena residência na vila de Cornwell, norte da Inglaterra (a única visita constante que recebem é a ranzinza e cômica Dorcas, empregada que as acompanha há anos). A morosidade do cotidiano é interrompida quando elas encontram no mar um jovem desacordado e decidem levá-lo pra casa.

ImagemDepois de cuidarem de seus ferimentos, descobrem que Adreas (Daniel Bruhl) não fala inglês e provavelmente sobreviveu a um naufrágio. Janet e Úrsula passam meses cuidando do rapaz, compram roupas, o alimentam e criam uma relação de proximidade. Elas se surpreendem com sua facilidade de tocar violino e arrumam um instrumento emprestado para que ele treine todos os dias. A música de Andreas chama a atenção de Olga Daniloff (Natascha McElhone), irmã de um violinista e compositor famoso.  Olga, que só estava de passagem pela cidade, convida Andreas para se juntar a ela em uma viagem. A grande oportunidade de Andreas se torna um pesadelo para Úrsula, que se apaixonou perdidamente pelo jovem.

Não há o que questionar sobre elenco: Dench e Smith são as grandes protagonistas e guiam toda a ação do filme.  Independente disso, o espaço dos outros atores é respeitado: Natascha McElhone está belíssima, faz jus ao personagem que interpreta e esbanja sensualidade, assim como Daniel Bruhl (nem um pouco prejudicado pela ausência de falas e fundamental para o desenrolar da trama). Sobre a direção de Dance, percebe-se muita calma quanto ao ritmo dos acontecimentos: tudo em seu devido tempo, acentuando a realidade das velhas senhoras. Além disso, o cenário é belíssimo (bucólico, frio e silencioso) e sustenta a sensação de solidão das irmãs.

tumblr_miajastdN41qb2flgo1_500Admiro a forma respeitosa em que a velhice é representada e mais do que isso, admiro a forma realística que trataram sobre um tema bastante subjetivo: o amor. Úrsula se apaixona por Andreas e não consegue esconder o sentimento da irmã que a todo tempo, tenta protegê-la e impedi-la de se aproximar do garoto. Em uma entrevista que vi com as atrizes, Dench falava que da pureza do amor de Úrsula e sugeriu que talvez, ela tivesse algum problema mental (ocasionado pela idade). Quando vi o filme, não me pareceu que Úrsula tinha alguma doença, no meu ponto de vista ela realmente tinha se apaixonado e como todo romântico, acreditava que um dia iria se juntar ao amado.

Não fica muito claro se Úrsula teve algum marido ou namorado, quanto a Janet (que é muito mais ‘pé no chão do que a irmã’) sabe-se que ela foi casada e que o marido morreu em guerra. É possível perceber um contraponto belíssimo: a viuvez de Janet não a fez descrente no amor, mas adormeceu nela o desejo de encontrar outro homem. Úrsula, por outro lado, tem dentro de si uma paixão arrebatadora (apimentada pelo ciúme que ela sente de Olga). Muito do que li, de comentários de quem já viu o filme, tratava-se do fato de Úrsula ser velha e mesmo assim se apaixonar. (Falavam com admiração não do fato dela ter se apaixonado por um garoto: mas do fato de ter se apaixonado, simplesmente).

Só há um motivo que me deixou um pouco antipatizada com o personagem Andreas: o fato de ele ter ido embora sem avisar as irmãs. Ele comeu da comida delas, vestiu as roupas que elas lhe compraram, teve abrigo e carinho e depois, as abandonou. Sua relação com as duas me pareceu seca e no mínimo ingrata afinal, será que Andreas não percebeu que Úrsula estava apaixonada por ele? Porque ele não se deu ao trabalho de avisá-las que iria embora? Por quê não deu atenção a elas depois do show? Foi doído ver o estado em que Úrsula ficou após perceber que Andreas tinha as abandonado e ficou claro o quanto era essencial que Janet, naquele momento, se mantivesse forte e segurasse as pontas.

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O quarteto

Maggie Smith Foi a primeira vez que reparei na beleza de Maggie Smith e no quanto àqueles olhos grandes e azuis são bonitos. Nem mesmo os filmes que ela fez com Judi Dench despertaram tal admiração.  Smith entrou para o meu imaginário (e tenho certeza que não só para o meu) como a velha professora de Hogwarts, Minerva McGonagall. Lembro-me dela também no papel da ríspida madre superiora em Mudança de Hábito, portanto, sua solidez me pareceu característica e foi assim que a marquei em minha memória.

Em ‘O Quarteto’ (filme de 2012, dirigido por Dustin Hoffman), Maggie Smith dá a vida a Jean, uma ex-cantora lírica que decide se mudar para uma casa de repouso de cantores aposentados. Sua chegada não é bem vista por alguns moradores do local e a trama leva-nos a desvendar o por quê. Logo na apresentação do filme, sentimos o clima leve do filme e acompanhamos um dos ensaios dos cantores que todos os anos, no dia 10 de outubro, comemoram o aniversário de Giuseppe Verdi com um concerto.

Vi a mesma pergunta repetidas vezes em diversos sites: ‘Por que Dustin Hoffman demorou tanto para trabalhar como diretor’?  Não sei a reposta ao exato, mas afirmo com toda certeza que seu debut na direção foi sublime. Em uma entrevista que vi com a Maggie Smith sobre a produção, ela conta o quanto se sente desconfortável se vendo em tela. O entrevistador lhe dizia que ela tem fama de ser perfeccionista e pergunta como foi trabalhar com Hoffman. Em resposta ela disse que ele é um dos melhores diretores com quem trabalhou porque já esteve na pele de um ator e sabe exatamente como eles se sentem em cena. A beleza da direção e sem dúvidas na fotografia se dá porque logo percebe-se um respeito pelo desempenho de cada ator em tela. Cada um deles, em sua devida proporção, merece uma menção na trama.

Maggie+Smith+Quartet

Dustin Hoffman dirigindo as cenas em 'O quarteto'

Dustin Hoffman dirigindo as cenas em ‘O quarteto’

O quarteto - Dustin Quando Jean chega ao asilo ela é tratada com rispidez por alguns moradores, mas sua presença incomoda principalmente Reg (Tom Courtenay) que afirma que deixará o local se ela realmente se mudar. Ironicamente, Jean fica a sua procura em grande parte da trama e só então descobrimos que os dois foram casados anteriormente e que Jean traiu Reg com outro homem.  O clima de briga entre os dois personagens é totalmente equilibrado pela presença do sedutor Wilf (Billi Connoly) e da esquecida Cissy (Pauline Collins). Os quatro, anteriormente, formaram um prestigiado grupo de cantores, mas depois de um tempo, tomaram os próprios rumos (a primeira a abandonar o grupo foi Jean).

Todo o mistério que ronda Jean faz da personagem mais encantadora. O filme, de fato é centrado em Maggie Smith, mas Pauline Collins, com toda aquela doçura não fica para trás. Cissy se esquece de tudo e sua fragilidade é compensada pela proteção e carinho dos outros moradores que não deixam que algo lhe aconteça. O próprio Wilf, em um momento descontraído, confessa que foi apaixonado por ela e por seus belíssimos ‘pares de peitos’.Quartet-1

Após uma reunião, os três amigos se juntam para tentar convencer Jean a se apresentar novamente.  Particularmente, admiro a abordagem que se deu às inseguranças da velhice. Jean se nega a cantar novamente porque tem medo de desafinar e não quer decepcionar os fãs. (Wilf ironicamente responde: ‘seus fãs provavelmente já estão mortos’).

No filme, Jean reclama dos ‘malditos quadris’ que doem muito. Acho engraçado porque no filme ‘O Exótico Hotel Marigold’, o personagem de Smith tinha o mesmo problema. Fiz uma pesquisa e descobri que Maggie Smith foi acometida por um câncer severo e ficou por algum tempo afastada das telas e nunca mais se aventurou a trabalhar no teatro. Maggie e Jean dividem algo em comum: as consequências da velhice e enfrentaram a possibilidade de abandonar a carreira.

Gosto da visão positiva sobre o avanço da idade, daquela velha ideia de que: ‘nunca é tarde para recomeçar’. Ao final, admiro muito a decisão de Hoffman de não mostrar o quarteto se apresentado. Seria arriscado colocar atores, que não cantam, dublando cantores de ópera. Achei justo e mais seguro.

O QUARTETO

O Exótico Hotel Marigold

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Tive uma conversa bastante produtiva com uma colega da faculdade que dizia que tem um medo enorme de envelhecer. Acho engraçado essa predisposição que nos temos de viver ansiosamente imaginando o futuro. Minha colega tem apenas 21 anos e já está pensando na velhice. Obviamente, todos nós paramos um dia da vida para pensar em como estaremos daqui há quarenta anos. O assunto surgiu porque o nosso professor explicava o conceito de âncora que dentre inúmeras coisas, traz uma reflexão sobre como o sujeito contemporâneo experimenta o tempo. Estamos vivendo em um mundo aceleradíssimo e essa nova noção, nos faz ter uma relação distinta com o passado.

Então depois da aula, minha amiga me mostrou um artigo daJudi Dench Elaine Brum chamado “Esses filhos perplexos diante da velhice dos pais” onde a jornalista realiza um belíssimo argumento sobre o surgimento de uma nova relação entre pais e filhos. Para Brum, a frase dos pais na década de 1970 é: “não quero incomodar meus filhos”. Mas a frase dos pais dessa geração é: “Incomodar os meus filhos? Nem me importaria. O que não quero é que os meus filhos me incomodem!”. O artigo é realmente muito bom e ela utiliza quatro filmes recentes sobre a velhice para ilustrar o texto. Um deles, o qual ela classifica como o ‘mais fraco’ é O Exótico Hotel Marigold, dirigido por John Madden. *(Os outros são: E se vivêssemos todos juntos, O quarteto e Amour).

 O Exótico Hotel Marigold conta a história de um grupo de aposentados britânicos que resolvem viajar para a Índia, atraídos pela publicidade de um hotel exótico e barato. Quando chegam no lugar, descobrem que as acomodações luxuosas em que imaginavam ficar estão, na verdade, quase caindo em pedaços. O filme traz a belíssima Judi Dench no papel Evelyn, uma mulher que ficou viúva e descobriu que o marido deixou inúmeras dividas a serem pagas. Ela então vende o apartamento e vai a Índia, para tentar reconstruir a vida. A produção também traz Maggie Smith, no papel de uma mulher rabugenta e preconceituosa que precisa ir a Índia para fazer uma cirurgia no quadril.

Maggie SmithApesar desses dois monstros do cinema inglês, o destaque vai para Tom Wilkinson e para Penelope Wilton. Tom Wilkinson interpreta Graham, um juiz aposentado que vai a Índia para fazer as pazes com o passado e reencontrar o grande amor da sua vida: um indiano com quem se relacionou quando jovem. Os dois foram pegos enquanto transavam. Graham voltou para faculdade sem saber o paradeiro do amante. Passou a conviver diariamente com a culpa, imaginando os terríveis castigos que o companheiro poderia ter sofrido. Penélope, por sua vez, interpreta Jean, uma mulher mal humorada e amargurada com a vida. Jean e o marido (interpretado por Bill Nighy) resolvem viajar para Índia para comemorar o casamento. Ela, no entanto, não se contenta com o local, nem com as pessoas e tenta, de todas as formas, voltar para casa.

Para todos os personagens, mas principalmente para esses dois, há uma mudança brusca na vida: uma ruptura. Enquanto Graham encontra a possibilidade de viver em paz com o passado e com a própria consciência, Penélope se vê diante de uma nova perspectiva de futuro. Há também outros plots interessantes como a história de Sonny (Dev Patel), que tenta manter o hotel, apesar de não ter nenhum talento para administração, ou da história de Sunaina (Tena Desae), que não é aceita pela família do namorado (Sonny).

O filme é de uma delicadeza tamanha e apresenta um aspecto interessante: o choque de culturas. Essa dificuldade que nos temos de encarar outro país, com cores diferentes, cheiros, lugares, crenças e comidas distintas. Quanto a velhice, o filme nos impulsiona a refletir positivamente sobre o nosso futuro. Há uma passagem final da personagem da Judi Dench que eu acho sensacional e tomei a liberdade de reproduzir:

“É nossa culpa achar que somos muito velhos para mudar? Com medo da decepção, para começar novamente? Nos levantamos de manhã e fazemos o que podemos. Nada mais importa. Mas também é certo que a pessoa que não arrisca nada… não faz nada, não tem nada. Só o que sabemos do futuro é que será diferente. Mas, talvez, o que tememos é que ele seja o mesmo. Por isso devemos comemorar as mudanças. Porque, como já disse alguém, no final tudo dá certo. E se não der certo, então, acredite…é porque ainda não chegou no final.”