O Moedor

O MoedorSimples, sem freios e direto…. é assim que Enio Mainardi me pareceu, pouco preocupado em ser politicamente correto ou sutil. Sutileza, aliás, é algo que quase não se vê em sua narrativa. Me identifiquei com suas histórias, com sua sinceridade meio grosseira e por seu apelo à memória (que, em vários momentos, se confunde com ficção). Infelizmente, desconheço sobre o autor (o nome não me é estranho, mas dele, de suas obras e trabalhos não sei nada).

[P.S. Algumas reflexões, como as que coloco no final desse texto, me pareceram um pouco de mal gosto, mas… ao meu ver, não comprometem a qualidade da narrativa].

Encontrei o livro na Fnac por apenas R$1,99, um valor ridículo para um livro tão bacana. A capa é interessantíssima, difícil não ficar curioso em saber sobre o seu significado, o qual descobrimos no terceiro capítulo. Em uma de suas crônicas, Mainardi conta sobre o encanto que tinha em relação ao moedor de carne da avó e cria uma deliciosa comparação com o casamento:

“Jogava–se lá dentro um pedaço de carne com músculo, ou um bife de fígado de fígado molenga, por exemplo, e saía regurgitando a carne moída, de cor misturada. Dava para fazer bolinho de carne (regulagem média), sopa de carne (regulagem grande e assim por diante. Bastava girar a manivela e a carne ia sumindo lá dentro. Casamento devia ser assim, igual. Podia se colocar para moer os sentimentos havidos, os não havidos, os fingidos, as coisas passadas, as imaginadas, e daí pronto. O que era antes, não seria depois.”

O Moedor 2

Antes de cada crônica/conto, Mainardi escreve pequenas epifanias… e é possível encontrar algumas pérolas (no bom sentindo). No mais, gostei das histórias, como aquela em que ele e um amigo, Harry (que aparece em vários momentos) resolveram transar com outros homens, ou quando ele decidiu invadir o túmulo e roubou a pena de um defunto…


Citações

“Outro dia, me surpreendi buzinando impaciente na frente  do hospital que atende soropositivos, ali perto do Trianon e havia uns carros que atravancavam a rua, desembarcando doentes. Pensei, compassivo: “Vai, aidético… Mas tira logo essa merda de carro da minha frente. Tua pressa não vai te adiantar  nada, mesmo…” Também fiz piada nos corredores do shopping, ao ver gente manejando canhestramente as suas cadeiras de rodas. “Ói só, está treinando para a Fórmula 1”.

“Eu hoje não seria capaz de foder você nem com três camisinhas. Me envergonho desse destempero. Acho que disse aquilo porque me senti ofendido por ela colocar todas as sua declarações de amor nos tempos passado e no condicional. “Quando eu te amava, querido” Amava!? You, bitch!!”

“Como se o uso do buraco do cu para fins de esfregações sexuais favorecesse ideias superiores, refinando a sensibilidade. Para mim, isso dá é hemorroidas, que se amenizam com pomada e se curam com cirurgia. Se escapar da Aids”

One thought on “O Moedor

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