Painted Lady

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Eu adoro assistir tudo o que a Helen Mirren faz, me sinto quase na obrigação. Acho ela linda, sedutora e uma atriz talentosíssima. Esses dias eu vi “Painted Lady”, uma série britânica protagonizada por ela, com quatro horas de duração e lançada em 1997. A trama conta a história de mulher cujo amigo é assassinado por causa de algumas obras de artes. Em busca de vingança, ela praticamente muda de rotina e de personalidade para encontrar os responsáveis pelo crime. Achei muito interessante o fato de o personagem ter sido feito especialmente para Mirren, que na época ficou marcada no inconsciente do público como a “Inspector Jane Tennison”, da série Prime Suspect.

Em Painted Lady, Helen Mirren dá vida a Maggie, uma cantora de blues aposentada, cuja situação financeira é tranquila. Ela vive em Dublin e tem muito contato com um vizinho, chamado Charles, a quem considera como um pai. Charles é assassinado em sua casa e ao encontra-lo, Maggie percebe que um de seus quadros (datado no século XVII e extremamente valioso), havia desaparecido. Em busca de respostas para o crime, Maggie conta com a ajuda de dois amigos (que trabalham em museus e entendem de arte) para se transformar na Condessa Magdalena Kreschinskaá e se aproximar do assassino.

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A série, além dos momentos deliciosos de suspense, é também uma aula de arte. São muitos os momentos em que os personagens analisam quadros famosos, contam a história de seus criadores e de seu contexto. A menção e reconstituição da morte de Marat (quadro de Jacques Louis David) é realmente muito legal, mas mais bacana ainda é a presença e as metáforas construídas através do quadro “Judith decapitando Holofernes”, de Artemisia Gentileschi, 1620.

Pouco sei sobre a história de Judith e Holofernes, mas o que mais impressiona (e se fala muito na série) é a história da autora do quadro, Artemisia. Um artigo sensacional, publicado no site da UFRGS, de autoria de Elvio Antônio Rossi, nos ajuda a esclarecer o que aconteceu com a pintora:

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“Aos 19 anos, Artemisia foi estuprada por Agostino Tassi (Agostino Buonamici; c. 1580–1644), pintor amigo de seu pai e contratado por este para ser tutor da jovem artista e lhe ensinar desenho e perspectiva, entre outras técnicas de pintura. Ao falhar em manter sua promessa de casamento, Agostino foi denunciado pelo pai da pintora, o caso foi levado à corte e num julgamento que se arrastou durante sete meses, Artemisia foi humilhada e severamente torturada, enquanto o agressor, apesar de ter sido condenado ao exílio por cinco anos, nunca cumpriu a pena, tendo retornado a Roma quatro meses depois. Como principal protagonista deste talvez primeiro caso de estupro público, ao ser acusada de promiscuidade, Artemisia acabou adquirindo uma reputação dúbia. Por isso, conforme Ian Chilvers (2001), a ferocidade de suas representações da decapitação de um homem por uma mulher na série de quadros sobre Judite e Holofernes, tem sido vista por muitos autores como uma “vingança” pictórica por seus sofrimentos.”

Clique aqui para ler o artigo completo

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Portanto, a história de Maggie se mistura um pouco com a personagem da pintura e com a história da própria pintora: é uma mulher que busca por vingança. Seu objetivo rende bons momentos ao espectador, seja o êxtase quando fica cara a cara com o assassino, ou nos momentos divertidos e engraçados, como quando ela toma um banho de loja para se fazer parecer milionária.

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